O desabamento de uma obra em Campo Grande, ocorrido na última sexta-feira (4), levanta questionamentos sobre possíveis falhas no projeto ou na montagem da estrutura pré-fabricada. A análise inicial foi realizada por Sidiclei Formagini, conselheiro do CREA-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul), que retornou ao local na manhã de sábado (5) acompanhado da equipe da Perícia Científica.
Formagini destacou que, embora as causas do colapso ainda não estejam definitivas, as falhas podem se originar tanto no dimensionamento do projeto quanto na execução das peças. Ele enfatizou que a fase de montagem é crítica, pois a estrutura pode não estar completamente estabilizada, comparando-a à montagem de um quebra-cabeça, onde cada parte deve ser corretamente posicionada e sustentada até a finalização.
Uma das hipóteses consideradas é que a estrutura poderia não ter sido totalmente fixada ou travada no momento em que perdeu a estabilidade, levando ao desabamento em cadeia. Outra possibilidade é uma falha de projeto, que será confirmada ou descartada após a conclusão da perícia. Formagini alertou que qualquer conclusão neste estágio é prematura, afirmando que "a gente pode partir para algumas possibilidades, pode ser o processo de montagem, pode ser uma falha de projeto e isso é a perícia que vai apontar".
Além da análise estrutural, o CREA-MS também está verificando a documentação da obra. A empresa responsável pela construção está registrada e conta com um profissional habilitado como responsável técnico. Até o momento, as informações coletadas indicam que a obra estava regular, embora a fiscalização ainda precise reunir outros documentos para análise pela Câmara de Engenharia Civil do conselho.
O desabamento ocorreu por volta das 14h na Avenida Vereador Thirson de Almeida, no Aero Rancho, e resultou na morte de dois trabalhadores: Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel Oliveira da Silva, de 41. Outros dois funcionários ficaram feridos e foram encaminhados para a Santa Casa de Campo Grande. Câmeras de segurança instaladas na Rua Gruta do Maquiné registraram o colapso às 14h07, mostrando a estrutura cedendo em sequência, semelhante a um efeito dominó, embora as imagens não revelem a causa do ocorrido.
Hoje, a perícia da Polícia Científica retornou ao local para continuar os levantamentos, agora com iluminação natural, o que deve auxiliar na investigação das causas do desabamento, além de verificar se houve algum erro no projeto ou na execução da obra.



