O vício em apostas, conhecido como ludopatia, tem se mostrado um desafio significativo para os pacientes em busca de tratamento. Esse problema é frequentemente agravado por um ciclo de vergonha e mentiras, onde os jogadores acreditam que podem reverter suas perdas financeiras, enquanto se veem cada vez mais afundados em dívidas e sofrimento. O presidente do Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas (Cead/MS), Marcos Estevão dos Santos Moura, destaca que a procura por ajuda está aquém do necessário, com muitos se sentindo envergonhados devido ao estigma associado aos jogos online.
A dinâmica da dependência é similar à de outras substâncias, onde a busca pelo prazer leva o indivíduo a um comportamento repetitivo de apostas. Essa situação resulta em uma negligência significativa nas áreas de trabalho, vida familiar e atividades diárias, com a mentira se tornando uma prática comum entre os afetados. O psiquiatra Eduardo Araújo reitera que o tratamento deve começar com psicoterapia, enfatizando que grupos de apoio são essenciais para a recuperação. Ele alerta que o transtorno não se mede apenas pelas perdas financeiras, mas pela incapacidade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante das consequências negativas.
Ao longo do tratamento, é crucial identificar os pensamentos e comportamentos que perpetuam o ciclo de apostas, assim como desenvolver estratégias para recuperar o controle. Algumas abordagens práticas incluem a imposição de barreiras ao acesso a sites de apostas, como mecanismos de autoexclusão e bloqueio de aplicativos. Em determinados casos, medicamentos podem ser utilizados para ajudar na contenção da compulsão, sempre após uma avaliação individualizada.
Recentemente, o governo anunciou um pacote de medidas que visa proibir a operação de plataformas de apostas no Brasil. A proposta inclui o bloqueio de novos depósitos e a apresentação de um projeto de lei ao Congresso Nacional que criminaliza a exploração de apostas ilegais. Os apostadores terão até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar os valores disponíveis em suas contas, com a devolução dos saldos programada entre os dias 9 e 14 de outubro.
Em Campo Grande, o grupo Jogadores Anônimos promove encontros às terças e quintas-feiras, a partir das 19h, na Rua Maracaju, 249, no Centro. A rede municipal de saúde orienta que indivíduos que percebam sinais de dependência busquem uma Unidade de Saúde da Família (USF) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para avaliação e definição do tratamento adequado.






