Moradores de Campo Grande protestam contra fechamento de Unidade de Saúde

Na manhã do dia 8, um grupo de moradores se reuniu em frente à USF (Unidade de Saúde da Família) Vila Corumbá, em Campo Grande, para protestar contra o fechamento da unidade. Com cartazes que traziam frases como "Reforma sim, fechamento não", os manifestantes demonstraram sua insatisfação. Este ato seguiu o protesto realizado no dia anterior, 7 de outubro.

O líder comunitário Ramão Barros Cordeiro, de 74 anos, que também é representante do conselho da USF, revelou que a comunidade foi informada recentemente sobre o fechamento programado para ocorrer em 30 dias. Em busca de respostas, os moradores se reuniram com a gerente da unidade e visitaram a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para questionar a decisão. A justificativa apresentada foi a existência de problemas estruturais no imóvel onde a USF funciona, alugado há cerca de 20 anos.

Ramão relatou que os moradores tentaram conversar com o proprietário do imóvel e se ofereceram para realizar uma reforma na unidade, desde que o valor do aluguel não fosse aumentado. No entanto, a prefeitura informou que, mesmo com a proposta, a continuidade do aluguel não seria viável. O líder comunitário destacou que outras unidades de saúde, como as USFs Bonança e Tia Eva, continuam em funcionamento após protestos semelhantes, levantando questões sobre a continuidade da Vila Corumbá.

A Sesau, em nota, comunicou que a equipe da USF Vila Corumbá será transferida em até um mês para uma unidade com melhores condições. As alternativas indicadas são a USF 26 de Agosto e a USF Paradiso, ambas localizadas nas proximidades. Contudo, a transferência requer adequações que demandam tempo.

A Secretaria explicou que o fechamento se deve à falta de acessibilidade, segurança e à exigência de inspeção da Vigilância Sanitária. Um Relatório da Vigilância Sanitária indicou inadequações que inviabilizam a realização de procedimentos que exigem uma estrutura específica, como curativos. A Sesau ressaltou que o contrato de aluguel venceu na última semana e que já havia tentativas de renovação, mas sem o comprometimento necessário do proprietário para os investimentos.

A pasta também contestou a ideia de que a decisão foi tomada sem planejamento. De acordo com a Sesau, a medida faz parte de uma estratégia mais ampla de encerrar contratos de aluguel de imóveis que não oferecem condições adequadas, buscando garantir prédios próprios para as unidades de saúde. Desde 2023, alternativas para unidades em imóveis alugados inadequados têm sido estudadas, com mais de 30 projetos de novas USFs cadastrados junto ao Ministério da Saúde, embora ainda não tenha havido aporte federal para sua execução.

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