Projetos bilionários buscam reduzir dependência de fertilizantes importados

O Brasil tenta diminuir a dependência externa de fertilizantes com uma série de projetos que somam mais de R$ 25 bilhões em investimentos até 2030, segundo a quinta edição do estudo Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro, da Firjan, apresentado pelo economista André Galhardo Fernandes. O estado do Rio de Janeiro, grande produtor de gás natural, concentra parte das iniciativas.

O principal empreendimento é uma fábrica de ureia em Macaé, com capacidade para 1,3 milhão de toneladas por ano e consumo diário de 3,2 milhões de metros cúbicos de gás. O município também prevê uma planta de metanol de 900 mil toneladas. Outros projetos incluem amônia verde no Porto do Açu e dois módulos de processamento do Complexo Boaventura, em Itaboraí. A Petrobras anunciou US$ 900 milhões para o setor, enquanto o Projeto Raia, da Equinor, deve acrescentar 16 milhões de metros cúbicos diários de gás ao mercado a partir de 2028.

Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes químicos consumidos no país são importados. Em 2025, a produção nacional foi de 7,2 milhões de toneladas, enquanto as importações superaram 43 milhões. A fábrica de Macaé poderia atender perto de 10% da demanda nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes estabelece como meta reduzir a dependência externa para 45% até 2050.

O obstáculo apontado pelo estudo está na chegada do gás às indústrias. Dos 223,98 milhões de metros cúbicos produzidos por dia em setembro, apenas 66,37 milhões chegaram ao mercado, conforme dados da ANP citados pelo economista. O restante foi reinjetado ou utilizado nas operações offshore. A carência de infraestrutura de escoamento e processamento limita o aproveitamento da matéria-prima.

Com os projetos previstos para o período entre 2028 e 2030, o mercado brasileiro permanece exposto à restrição chinesa sobre fosfatados e ao encarecimento do gás europeu, com possíveis reflexos sobre a oferta e os custos agrícolas.

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