Organização criminosa investigada pela Polícia Federal tinha divisão de funções entre parentes, estrutura de segurança armada e possível apoio de agentes públicos. Grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos.
Uma organização criminosa liderada por três irmãos e outros integrantes da própria família é alvo de uma das maiores operações contra o tráfico internacional de drogas e armas em Mato Grosso do Sul. O grupo utilizava veículos blindados, drones, armamento pesado e equipamentos de comunicação para proteger suas atividades e exercer controle sobre áreas estratégicas da fronteira.
A investigação foi revelada durante a Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e pela Receita Federal. Segundo as autoridades, a organização movimentou mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos de apuração.
Conforme as investigações, o grupo possuía uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre os integrantes. O núcleo de liderança era formado por três irmãos, seus filhos e outros parentes, responsáveis por coordenar diferentes etapas das atividades criminosas.
A estrutura contava com operadores financeiros, responsáveis pela logística, transporte das cargas ilícitas e integrantes encarregados da segurança armada. A organização atuaria de maneira estável desde pelo menos 2018.
Blindados, drones e armamento pesado
Para manter o domínio territorial e proteger as rotas utilizadas no transporte de drogas e armas, os investigados investiram em uma estrutura de segurança semelhante à de grupos paramilitares.
Segundo a Polícia Federal, eram utilizados veículos blindados para deslocamento das lideranças e escolta de carregamentos de alto valor. Drones e equipamentos modernos de comunicação também faziam parte do aparato, permitindo monitorar movimentações policiais e possíveis ameaças de grupos rivais.
O grupo ainda mantinha estruturas preparadas para abrigar integrantes fortemente armados, responsáveis pela proteção de depósitos e pontos estratégicos.
As investigações também identificaram estratégias de contrainteligência, utilizadas para antecipar operações policiais e dificultar o trabalho das forças de segurança.
Fronteira de MS era rota internacional
De acordo com os investigadores, as drogas e os armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. Posteriormente, os produtos entravam no Brasil pela fronteira de Mato Grosso do Sul.
As cargas eram distribuídas para diferentes municípios do Estado e encaminhadas principalmente para São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Parte dos entorpecentes também tinha como destino o mercado europeu, especialmente Espanha e Portugal. Nesse esquema, o território brasileiro funcionava como ponto estratégico de armazenamento, transporte e preparação das remessas internacionais.
Policiais são investigados por possível colaboração
Outro ponto considerado grave pelas autoridades é a suspeita de participação de agentes públicos na estrutura criminosa.
As investigações apontam que policiais civis, militares e um policial rodoviário federal teriam fornecido informações privilegiadas sobre operações, fiscalizações e investigações em andamento.
Em Mato Grosso do Sul, três policiais civis foram afastados de suas funções por determinação judicial. A apuração também investiga possíveis vínculos da organização com facções criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
Operação mobiliza 450 policiais federais
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas medidas de monitoramento eletrônico e afastamentos de agentes públicos.
As diligências ocorrem em sete estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina.
A ação mobiliza aproximadamente 450 policiais federais, além de 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.
A investigação busca desarticular a estrutura financeira e operacional da organização, identificar os envolvidos no esquema internacional e aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos nas atividades criminosas.





