Delegado afirma que casal entrou por engano em área alagada; análise de imagens indica tentativa de manobra para retornar antes de o veículo afundar. Uma das vítimas continua desaparecida.
A Polícia Civil esclareceu as circunstâncias do acidente envolvendo um casal de idosos que caiu com uma caminhonete no Rio Ivinhema. Após análise das imagens e dos elementos reunidos durante a investigação, o delegado Gustavo Oliveira afirmou que o caso é tratado como uma fatalidade, sem indícios de feminicídio ou suicídio.
De acordo com a autoridade policial, o casal não conhecia a região, onde funciona um condomínio fechado, e não residia nem alugava imóvel no local. A suspeita é de que os ocupantes tenham entrado por engano na área.
Outro fator que pode ter contribuído para o acidente são as condições das estradas, que apresentam diversos trechos alagados. Em determinados pontos, a água chega à altura das rodas de veículos altos, como caminhonetes, o que pode ter levado o motorista a acreditar que estava atravessando apenas mais um trecho inundado da estrada.
O delegado também mencionou relatos de que o casal teria passado o dia consumindo bebidas alcoólicas. A possível redução dos reflexos e da capacidade de percepção, associada à idade dos ocupantes, também foi considerada na investigação.
Imagens ajudam a esclarecer o acidente
A perícia analisou imagens que registraram o momento em que a caminhonete entrou na água. Segundo o delegado, a mulher aparece sentada no interior do veículo, segurando a alça de segurança utilizada por passageiros durante a passagem por obstáculos.
A análise não identificou sinais de agressão, discussão ou qualquer indício de que a mulher estivesse sendo segurada ou levada à força. Os pedidos de socorro começaram somente depois que a caminhonete entrou na água e passou a afundar.
Outro detalhe importante foi identificado na reação do motorista. Conforme a análise das imagens, aproximadamente quatro segundos após a entrada na água, as luzes traseiras da caminhonete indicaram que o condutor acionou o freio e engatou a marcha à ré, sugerindo uma tentativa de retornar ao perceber o perigo.
Profundidade e pressão da água dificultaram a saída
Segundo Gustavo Oliveira, a rampa de acesso estava mais alagada do que o habitual, impedindo a visualização de um declive acentuado. Em aproximadamente quatro segundos após a entrada no rio, a água já havia tomado praticamente toda a cabine e coberto a porta do veículo.
A pressão da água teria dificultado a abertura das portas, principalmente considerando a idade das vítimas. O local apresenta aproximadamente seis metros de profundidade já nos primeiros metros após a rampa.
A perícia também não identificou qualquer momento em que os ocupantes tenham conseguido deixar a caminhonete. A porta teria se aberto posteriormente, quando o veículo já estava no fundo do rio, possivelmente em razão da pressão da água.
Com a abertura, uma das vítimas pode ter sido projetada para fora da caminhonete e permanece desaparecida. A força da correnteza também deslocou o veículo pelo fundo do rio por aproximadamente 40 metros.
Polícia pede cautela na divulgação de informações
Ao concluir os esclarecimentos, o delegado reforçou que não existem, até o momento, elementos que indiquem uma morte intencional. Segundo ele, também não há histórico de violência entre o casal que justifique outra linha investigativa.
A Polícia Civil alertou ainda para a divulgação de conclusões precipitadas sobre o episódio, destacando o respeito necessário aos familiares das vítimas.
As buscas pela pessoa que permanece desaparecida continuam em andamento.





