Especialista alerta para erro comum ao usar câmbio automático em descidas e subidas

O avanço dos carros automáticos no Brasil trouxe um desafio para motoristas acostumados ao câmbio manual. A Bright Consulting aponta que mais de 60% dos veículos zero quilômetro vendidos no país já contam com essa tecnologia, impulsionada pela maior oferta de modelos, pela expansão dos elétricos e híbridos e pelas isenções tributárias para Pessoas com Deficiência (PCDs).

Dirigir um automático, porém, não se resume a engatar o modo D e seguir. O uso inadequado da transmissão pode encurtar a vida útil dos componentes internos, especialmente em aclives, declives acentuados ou estradas de serra. As transmissões modernas têm gerenciamento eletrônico, mas ainda respondem ao esforço mecânico da pista.

Em subidas fortes, manter apenas o D faz o câmbio tentar avançar as marchas para economizar combustível. Ao sentir falta de força, a central reduz imediatamente, num movimento contínuo de sobe e desce que gera superaquecimento. A recomendação é usar a posição L ou travar a primeira marcha antes da subida, para que o motor trabalhe com mais força disponível.

O risco é ainda maior em descidas longas, como as de serras no caminho para o litoral. Ao descer tudo em D, o veículo ganha velocidade pelo próprio peso e exige frenagem constante, o que superaquece discos e pastilhas. Em casos extremos, o fluido de freio ferve e o sistema perde capacidade de frenagem. Selecionar o modo L ou reduzir marchas manualmente ativa o freio-motor e alivia o sistema convencional.

Além do D, o seletor costuma trazer as posições L, os números 1 e 2, e, em modelos com trocas manuais, aletas atrás do volante ou a posição M. Essas opções limitam as trocas de marcha e mantêm o motor na rotação ideal para uso severo, garantindo descidas mais controladas e seguras.

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