Aparelho Auditivo Reduz Risco de Demência em 60%, Aponta Estudo

Um estudo recente, publicado no Journal of American Medical Society (Jama), revela que o uso de aparelhos auditivos está associado a uma redução significativa, de cerca de 60%, no risco de desenvolver demência. A pesquisa destaca a importância da intervenção para pessoas com perda auditiva, uma condição que, apesar de tratável, ainda carece de atenção.

A perda auditiva já é reconhecida como um fator de risco importante para o declínio cognitivo. Especialistas apontam diversas hipóteses para essa ligação. Nos Estados Unidos, o estudo observou que o acesso a melhores cuidados de saúde, incluindo aparelhos auditivos, está ligado à capacidade financeira.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece aparelhos auditivos, mas a demanda é alta. Um estudo brasileiro recente, com 800 participantes com idade média de 50 anos, demonstrou que a dificuldade de audição acelera a progressão do declínio cognitivo.

Especialistas enfatizam a importância da prevenção. Casos simples, como rolhas de cera, podem ser facilmente tratados. Já perdas auditivas progressivas requerem intervenção com aparelhos ou cirurgias. A detecção precoce é fundamental para um tratamento mais eficaz. Familiares devem estar atentos a sinais como dificuldade de comunicação, já que os pacientes nem sempre percebem a própria perda auditiva.

Para auxiliar na identificação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou o aplicativo hearWHO, que avalia a capacidade auditiva.

A prevenção da demência envolve também o controle de outros fatores de risco. Um estudo brasileiro do ano passado indica que quase metade dos casos de demência no país poderiam ser evitados com a prevenção e tratamento de 12 fatores de risco, incluindo baixa escolaridade, obesidade e hipertensão.

Além disso, especialistas ressaltam a necessidade de combater o preconceito contra o uso de aparelhos auditivos. Cuidar da audição é crucial para um envelhecimento saudável e representa uma “poupança” para o futuro.

SAIBA

14 fatores associados aos casos de demência

– Baixo nível educacional;
– Colesterol alto;
– Consumo excessivo de álcool;
– Depressão;
– Diabetes;
– Falta de atividade física;
– Falta de contato social;
– Hipertensão;
– Lesões graves na cabeça;
– Obesidade;
– Perda de audição;
– Perda de visão;
– Poluição do ar;
– Tabagismo.

Levantamento publicado na The Lancet, em 2024.

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