A gestão financeira pessoal é fundamental, especialmente em tempos de incerteza. Uma demissão inesperada, problemas no carro ou despesas médicas podem rapidamente evidenciar a diferença entre simplesmente poupar dinheiro e ter uma reserva de emergência. Embora 69% dos brasileiros afirmem ter algum valor destinado a imprevistos, 43% desse grupo consumiria toda a quantia em até seis meses. Esses dados são parte do Raio X do Investidor Brasileiro 2026, elaborado pela Anbima em parceria com o Datafolha.
O levantamento revela que 33% da população conseguiu poupar dinheiro em 2025, um aumento em relação aos 27% registrados em 2021. Além disso, o percentual de pessoas que investiram chegou a 24%, o maior desde o início da série histórica, embora 64% ainda não tenham aplicado seus recursos em produtos financeiros. De acordo com o economista Hudson Garcia, o desafio começa antes da escolha do investimento, sendo essencial determinar quanto cada pessoa pode reservar mensalmente para emergências.
Hudson recomenda que indivíduos com um orçamento equilibrado tentem guardar entre 10% e 20% de sua renda líquida mensal. Aqueles que não conseguem atingir esses percentuais podem começar com 5% e aumentar gradativamente à medida que suas condições financeiras melhoram. Para exemplificar, uma pessoa que recebe um salário mínimo de R$ 1.621 e destina 10% desse valor à poupança estaria guardando R$ 162,10 por mês. Já um trabalhador com uma renda média de R$ 3.693, como é o caso em Mato Grosso do Sul, pouparia R$ 369,30 mensalmente.
Os valores poupados são apenas exemplos, pois a quantia necessária para uma reserva de emergência depende das despesas individuais. Se uma pessoa gasta R$ 1.300 por mês, a reserva ideal para seis meses seria de R$ 7.800. Para quem tem despesas mensais de R$ 2.500, o valor necessário para o mesmo período de proteção seria de R$ 15 mil. Hudson Garcia enfatiza a importância de separar o dinheiro destinado à reserva assim que o salário é recebido, evitando esperar até o final do mês para descobrir quanto sobrou.
A recomendação é manter uma rotina de poupança de três a seis meses, dependendo da estabilidade da renda. Além disso, é crucial que o acesso ao dinheiro da reserva seja garantido antes de qualquer rentabilidade. Dentre as opções recomendadas estão o Tesouro Selic, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com liquidez diária e fundos de renda fixa conservadores que permitem resgates rápidos. O especialista alerta que nem todos os investimentos de renda fixa são apropriados para emergências, pois títulos prefixados ou de longo prazo podem sofrer oscilações se forem vendidos antes do vencimento.
As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) também devem ser analisadas com cautela, pois podem ter prazos de carência que dificultam o resgate imediato. Ter uma reserva financeira é vital para evitar dívidas de alto custo. Para aqueles que estão enfrentando dificuldades com o rotativo do cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos com juros altos, Hudson recomenda manter uma proteção financeira e priorizar a quitação das dívidas. "A reserva não serve para enriquecer, mas para evitar que situações adversas, como a perda de emprego ou uma despesa inesperada, forcem a venda de investimentos em momentos desfavoráveis ou a necessidade de recorrer a crédito caro", conclui o economista.






