A trajetória de Maria Cristina Leguizamon Okumoto, mãe do fisioterapeuta Paulo Okumoto, é marcada pela luta contra a doença de Creutzfeldt-Jakob, que a acompanhou de 2015 a 2018. Para Paulo, hoje com 47 anos, a expectativa de perder a mãe era uma constante, mas ela resistiu por três anos após o diagnóstico. O fisioterapeuta compartilhou suas lembranças com o Campo Grande News, especialmente após ouvir sobre outros casos, como o do influenciador Lito Sousa e do douradense Hermes Zornitta, que o fizeram reviver a experiência de cuidar de sua mãe, despertando saudades e emoções profundas.
Durante o período em que Maria Cristina esteve doente, a família transformou seu quarto em uma mini unidade intensiva. No ambiente, um quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se tornou um símbolo de esperança. Paulo recorda que, em momentos de lucidez, sua mãe parecia ter uma conexão com a imagem, frequentemente olhando fixamente para o quadro. Essa cena se tornou um dos muitos momentos marcantes para ele durante a difícil jornada.
O diagnóstico da doença em dezembro de 2015 trouxe uma onda de desespero e esperança à família. "Esperávamos um milagre", relembra Paulo, que destaca a forte ligação religiosa da família. Eles se uniram em novenas, terços e orações, acreditando que algo poderia mudar a situação de Maria Cristina. Infelizmente, a doença, que provoca um quadro degenerativo irreversível, trouxe limitações severas, e os médicos informaram que não havia cura.
A sensação de impotência foi uma constante durante o acompanhamento do tratamento. Paulo enfatiza que a preocupação principal da família era assegurar o conforto de sua mãe, evitando que ela sentisse dor ou fome, dado que, em seu estado, ela não conseguia comunicar suas necessidades básicas. "Era uma situação angustiante", diz ele, lembrando do desafio de lidar com as limitações impostas pela doença.
Paulo também reflete sobre a dificuldade de diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, que pode ter levado muitas pessoas a falecer sem saber a causa exata. Ele menciona que os exames necessários são caros e muitas vezes não são cobertos por convênios, o que torna o diagnóstico ainda mais complicado. Apesar da dor da perda, Paulo encerra suas lembranças enfatizando que sua mãe foi cercada de amor e cuidados durante todo o tempo que esteve doente, sendo sempre muito amada por sua família.






