Apostas online: supermercados veem alta nas vendas, e clubes apontam perdas

Representantes de supermercados e de clubes de futebol apresentaram posições opostas nesta terça-feira, durante audiência na Suprema Corte, sobre os efeitos da proibição das apostas online no Brasil. Enquanto o setor supermercadista comemora aumento nas vendas, os clubes relatam queda acentuada nas receitas publicitárias.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o fim das apostas esportivas e dos cassinos online a partir de 5 de outubro, durante a campanha pela reeleição. O governo justificou a medida alegando que as plataformas endividavam excessivamente a população. Agora, o Supremo Tribunal analisa ações de empresários do setor de apostas que tentam anular a decisão presidencial.

O Flamengo estima perda de cerca de 430 milhões de reais anuais em receitas com a proibição, segundo Flávio de Araújo Willeman, vice-presidente do clube, que falou na audiência na sede da Suprema Corte. Corinthians, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Grêmio e São Paulo também relataram impactos negativos em suas finanças. Os clubes lembraram que países como Bélgica, Itália e Espanha concederam meses de transição às equipes, enquanto no Brasil o prazo foi de apenas dez dias.

Do outro lado, João Galassi, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), afirmou que houve crescimento real de 6,5% no consumo de alimentos na primeira semana após a proibição, na comparação com 2025. Os recursos que antes iam para as casas de apostas, disse ele, estão retornando para a alimentação, o pagamento de dívidas e as necessidades das famílias.

O Congresso também analisa a proibição e deve votar a questão antes do final de janeiro, para anular a decisão de Lula ou ratificá-la permanentemente.

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