O transporte coletivo de Campo Grande enfrenta nova crise com a paralisação de motoristas em protesto contra o atraso no pagamento de seus vales. A ação, que começou às 4h30 da manhã, mobilizou cerca de mil trabalhadores, impedindo a circulação dos ônibus. Após 1h30 de interrupção, o serviço foi retomado.
O Consórcio Guaicurus, responsável pela administração do sistema desde 2012, atribui o atraso ao não repasse de mais de R$ 9 milhões por parte do poder público. Segundo a empresa, a situação compromete o cumprimento de obrigações salariais e contratuais.
De acordo com Themis de Oliveira, diretor-presidente da concessionária, a prefeitura está em débito com a empresa. A justificativa oficial do Consórcio é de que enfrenta severas restrições financeiras, com insuficiência de recursos para cumprir integralmente obrigações salariais, fiscais e contratuais. A dificuldade não se limita ao repasse de R$ 9,08 milhões em negociação com o poder concedente, mas reflete um desequilíbrio estrutural que vem se agravando diante da defasagem tarifária e do esgotamento das linhas de crédito.
O presidente da Câmara de Vereadores, Epaminondas Vicente Silva Neto, afirmou ter recebido alertas sobre o risco de paralisação caso os repasses não fossem feitos. Ele alega que os repasses relativos aos custos do transporte de estudantes das redes públicas não ocorrem há quase quatro meses. A dívida do governo do Estado soma pouco mais de R$ 6 milhões e a da prefeitura já supera a casa dos R$ 3 milhões, segundo o vereador.
A prefeitura, por sua vez, nega a versão do presidente da Câmara, alegando estar em dia com suas obrigações junto ao Consórcio Guaicurus. O executivo municipal “empurra” a responsabilidade pelo atraso nos repasses para o Estado.
A Prefeitura de Campo Grande informa que está rigorosamente em dia com todas as suas obrigações de pagamento junto ao Consórcio Guaicurus. É importante destacar que o financiamento do transporte coletivo urbano envolve também outros entes públicos e a própria sociedade, por meio da tarifa paga pelos usuários. No que compete ao Município, todos os compromissos estão sendo cumpridos. A administração mantém diálogo constante com o Consórcio para buscar as melhores soluções e assegurar a continuidade e a qualidade do serviço, evitando prejuízos à população.
O Estado, segundo Papy, não fez os repasses porque a prefeitura, que é intermediária, está com o “nome sujo” e não consegue emitir a certidão exigida pelo governo estadual para que o repasse seja feito.
Uma assembleia geral foi convocada pelo Sindicato dos Motoristas para a próxima segunda-feira, em decorrência do atraso no pagamento do adiantamento salarial da categoria.
A Câmara Municipal informou que vai agilizar um projeto de lei para criação do Fundo Municipal de Mobilidade e Trânsito, com o objetivo de assegurar a previsibilidade dos repasses e um novo modelo de financiamento do transporte público, buscando evitar atrasos futuros.
Paralisações semelhantes ocorreram em junho de 2019, junho de 2022 e janeiro de 2023, motivadas por questões como cortes no orçamento, atraso no pagamento de benefícios e reajustes salariais.





