A pecuária bovina no Brasil passou por transformações significativas nas últimas décadas, destacando-se pela expansão da produção de carne e pela redução da área utilizada para pastagens. Dados da Athenagro indicam que, entre 1990 e 2025, a produção de carne bovina cresceu 3,36 vezes, ao passo que a área ocupada por pastagens caiu em 17,2%. Essa mudança reflete um novo cenário para a pecuária nacional, que se tornou mais eficiente e menos dependente de espaço.
Antonio Cabreira, presidente do Grupo Cabrera, atribui esse avanço ao processo de liberação dos preços da carne, que começou em 1990. Antes dessa mudança, os preços eram fixados pelo governo, mas com a liberalização, a formação dos valores passou a ser determinada pelo mercado. A transição ocorreu de maneira gradual, iniciando-se pela carne de primeira e, posteriormente, pela carne de segunda.
O Brasil, anteriormente, enfrentava uma forte dependência externa. Em 1989, ocupava a quinta posição entre os maiores importadores de carne do mundo e ainda lidou com 100 mil toneladas de carne contaminada compradas pelo governo devido ao acidente nuclear de Chernobyl. Desde então, a produção de carne bovina no país mostrou um crescimento robusto, saindo de 3,67 milhões de toneladas em 1990 e alcançando 12,35 milhões de toneladas em 2025.
Durante o mesmo período, a área dedicada às pastagens apresentou uma diminuição significativa, passando de 193 milhões para 159,75 milhões de hectares. Para Cabreira, essas estatísticas evidenciam como a liberdade econômica favoreceu o desenvolvimento do setor pecuário. A combinação entre o aumento na oferta de carne e a diminuição da área utilizada revela que a pecuária aprimorou sua capacidade produtiva sem necessitar de expansão territorial.
Esses resultados também demonstram uma mudança estrutural na atividade, onde a produção se tornou mais eficiente, gerando mais carne em uma área menor. Essa nova realidade permite que o Brasil se posicione de forma competitiva no mercado global, refletindo ganhos significativos em produtividade ao longo das últimas décadas.





