A exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia poderá ser revertida até o dia 3 de setembro, data em que o veto entraria em vigor. Autoridades diplomáticas de Brasília e Bruxelas afirmam que, embora existam exigências técnicas a serem cumpridas, há um calendário de trabalho estabelecido entre as partes para solucionar a questão. O principal ponto de preocupação para a UE é garantir a rastreabilidade das exportações de carne bovina.
Durante um evento em que se discutiam as indicações geográficas "Sabores que Conectam", a embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, destacou o esforço conjunto para resolver a situação. Autoridades de ambos os lados informaram que há uma expectativa real de que o veto seja superado rapidamente, apesar das dificuldades. O prazo para a efetivação da exclusão, que se aproxima, gerou um clima de urgência nas negociações.
Representantes do governo brasileiro expressaram sua surpresa com a decisão da UE, que foi anunciada apenas onze dias após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e UE. Um integrante da Presidência do Brasil comentou que as medidas sanitárias são compreensíveis, mas questionou a falta de comunicação por parte dos europeus, que não solicitaram informações adicionais ao Ministério da Agricultura. Essa falta de diálogo foi vista como um fator que contribuiu para a surpresa do governo.
Um diplomata europeu reconheceu que a situação inicial foi complicada, mas que esforços estão sendo feitos para contornar o impasse. Para um membro do governo brasileiro, a situação foi um descuido político que poderia ter sido evitado, especialmente com a proximidade do novo acordo comercial. No entanto, essa análise não impede a busca por soluções.
Após o anúncio do veto, uma reunião foi realizada em Brasília entre as equipes da Delegação Europeia, lideradas por Schuegraf, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o secretário Luis Rua à frente. A Confederação Nacional da Agricultura também participou das discussões. Participantes da reunião relataram um clima de colaboração, com o objetivo de evitar trocas de acusações que poderiam prejudicar o relacionamento comercial e o acordo de livre comércio.
Em Bruxelas, uma nova reunião ocorreu no dia 13, onde o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva se reuniu com a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia. Durante esses encontros, foi decidido que a avaliação dos produtos de origem animal será feita separadamente, permitindo que outros segmentos como frango, suínos, ovos e mel continuem a ser exportados, enquanto o foco principal permanece na carne bovina. As pendências serão listadas de acordo com cada tipo de proteína, facilitando o fluxo comercial e a resolução do veto.





