A saúde pública em Campo Grande enfrenta uma crise de leitos que se agrava, expondo a fragilidade do sistema e transformando Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em extensões improvisadas de hospitais. Pacientes aguardam por vagas hospitalares via Sistema Único de Saúde (SUS) por dias, até mesmo meses, em meio a um cenário de superlotação e falta de um titular na Secretaria de Saúde há um mês.
Apesar de um orçamento municipal robusto destinado à área, com R$ 2,1 bilhões investidos este ano e uma previsão de R$ 2,25 bilhões para 2026, a rede hospitalar da capital sul-mato-grossense tem demonstrado incapacidade em atender a demanda, tanto para adultos quanto para crianças. Hospitais confirmaram os altos níveis de ocupação. A administração pública ainda não apresentou um plano para mitigar a escassez de leitos.
Levantamento recente revelou a situação crítica em diversas unidades de saúde. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) opera com 100% de ocupação em seus nove leitos de CTI adulto, nove leitos na Unidade Coronariana, nove leitos de UTI pediátrica e seis leitos de UTI neonatal. A Santa Casa, que disponibiliza 637 leitos para o SUS, registra uma taxa de ocupação de 80,87%, com um tempo médio de permanência dos pacientes de 9,91 dias. O Hospital Adventista do Pênfigo (HAP), com seus 20 leitos de UTI e 30 leitos clínicos contratualizados com a prefeitura, e mais 10 leitos de UTI e 20 clínicos com o Estado (até novembro), também opera com todos os leitos ocupados.
O Sistema de Gestão de Saúde (SiGS) da Prefeitura indica superlotação nas UPAs Vila Almeida, Coronel Antonino, Leblon, Santa Mônica e Moreninhas, tanto em leitos de emergência quanto de observação. As demais unidades apresentam poucas vagas disponíveis.
Em meio ao caos, a regulação das vagas do SUS em Mato Grosso do Sul se tornou um ponto de discórdia entre o governo estadual e a prefeitura. Existem duas centrais que decidem para onde cada paciente será encaminhado.
A saúde municipal tem sido alvo de investigações do Ministério Público, devido à demora no atendimento e na obtenção de leitos, forçando muitos pacientes a esperarem nas unidades de saúde por uma vaga.
Exemplos dramáticos ilustram a situação. Dilfa Almeida, de 74 anos, aguarda internação na UPA Leblon após um exame indicar sangramento nas vias respiratórias e a suspeita de uma massa pulmonar. Maria da Glória de Lima, de 85 anos, espera há quatro dias por uma vaga após sofrer um infarto.
A ausência de um secretário de Saúde específico agrava a situação, dificultando a resolução dos problemas e atrasando as demandas. Um comitê foi instituído para comandar a pasta após a exoneração da antiga secretária, Rosana Leite de Melo.





