A morte da adolescente Lívia, de 13 anos, ocorrida em Naviraí no dia 22 de julho, desencadeou uma série de investigações e ações por parte da plataforma Discord. A jovem foi incentivada a cometer suicídio em uma transmissão ao vivo em grupos online dedicados à automutilação. Inicialmente classificada como suicídio, a investigação revelou que se tratava de homicídio decorrente da manipulação por uma organização criminosa no ambiente digital.
Após a repercussão do caso, especialmente após a deflagração da Operação Livia em 4 de agosto, que resultou em mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo o Rio de Janeiro e o Ceará, o governo federal, através da Advocacia-Geral da União (AGU), solicitou esclarecimentos à empresa sobre suas ações em relação ao caso de Lívia. O governo também pressionou a plataforma a adotar medidas que protejam usuários menores de 18 anos.
O Discord afirmou que o servidor em questão era restrito a convidados e não era acessível por busca comum na plataforma. A empresa alegou ter investigado e removido o grupo antes de sua comunicação pública, mas não divulgou informações sobre o tempo de resposta ou o número de usuários que participavam do servidor.
Além disso, a plataforma declarou que não admite grupos que promovam ou incentivem a violência e mantém um diálogo constante com autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça. O Discord possui equipes dedicadas à identificação de grupos envolvidos em atividades prejudiciais e à remoção de conteúdos que violem suas diretrizes.
A delegada Anne Trevisan, responsável pelo caso, revelou que os integrantes do grupo pressionaram Lívia a cometer suicídio, utilizando uma abordagem que assemelha-se a um jogo, onde a jovem deveria seguir ordens específicas para “avançar de fase”. Essa manipulação incluiu a exigência de que ela machucasse o próprio gato, e a recusa dela teria resultado em pressão intensa para que cometesse o ato fatal.
Investigadores também estão analisando outros casos de suicídio que podem estar relacionados a esses grupos de automutilação. A delegada não forneceu detalhes sobre os locais de outros casos, mas destacou que um adolescente de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense foi identificado como responsável por coordenar as ações que levaram à morte de Lívia. O caso levanta preocupações sobre a segurança de jovens em ambientes digitais e a responsabilidade das plataformas online na proteção de seus usuários.





