Candidatos enfrentam dilemas entre desenvolvimento e meio ambiente em MS

A questão dos incentivos fiscais, que representam mais da metade dos R$ 22,5 bilhões previstos como receitas líquidas no orçamento de Mato Grosso do Sul para 2026, se torna um desafio crucial para os candidatos Eduardo Riedel (PP) e Fábio Trad (PT). Ambos precisam encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental em um cenário marcado por grandes projetos que transformam o Estado. No Leste, o Vale da Celulose já ocupa cerca de 2 milhões de hectares com eucalipto, acompanhado por investimentos significativos na indústria e na logística, colocando Mato Grosso do Sul em evidência na produção global de celulose, mas também gerando preocupações sobre os impactos ambientais, como a escassez de água e a degradação de nascentes.

Riedel defende a continuidade de um modelo baseado em investimentos, industrialização e infraestrutura, integrando a sustentabilidade como um ativo econômico. Por outro lado, Trad sugere uma revisão desse modelo, propondo maior desconcentração regional e a introdução de contrapartidas sociais e ambientais para os incentivos fiscais concedidos. Apesar das abordagens distintas, a magnitude dos projetos em andamento torna cada vez mais difícil separar as questões do desenvolvimento econômico das preocupações ambientais.

A expansão da celulose no Bolsão exemplifica essa interseção, sendo vital para a economia, mas também um fenômeno territorial que requer planejamento cuidadoso em relação aos recursos hídricos e às comunidades locais. Especialistas alertam para a necessidade de um planejamento territorial que antecipe os efeitos da rápida mudança econômica promovida pela silvicultura e pela indústria de celulose, enfatizando que o crescimento deve ser gestionado por mecanismos que estabeleçam limites claros.

Um exemplo significativo é o caso da Ilha Solteira, onde a Justiça condenou a Cesp e a Rio Paraná Energia a pagar R$ 291,2 milhões, mais juros, à Selvíria, devido a danos relacionados ao reservatório formado em 1973. O valor total, corrigido, ultrapassa R$ 410 milhões, e a ação foi proposta em 2009. Um recurso será impetrado na justiça por Santiago, que reivindica que os recursos provenientes da sentença sejam destinados ao município. Embora os casos não sejam diretamente comparáveis, ambos ilustram um ponto em comum: grandes empreendimentos transformam territorialidades e exigem um planejamento que integre prevenção, fiscalização e reparação ambiental.

Para Mato Grosso do Sul, a questão central é se a estrutura de gestão ambiental conseguirá acompanhar a velocidade da expansão econômica. O Vale da Celulose se apresenta, portanto, como um teste prático para as visões dos candidatos. Com o avanço das campanhas eleitorais, ambos terão que responder uma pergunta fundamental: quais limites ambientais e hídricos precisam ser estabelecidos antes que a nova fase da silvicultura em expansão se consolide?

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