CAPS promove acolhimento e reabilitação no combate às dependências químicas

O primeiro passo para a recuperação de alguém que lida com o vício em álcool e outras drogas nem sempre é a decisão de parar. Muitas vezes, esse passo inicial pode ser simplesmente entrar em um espaço acolhedor, pedir um café e buscar orientação. O CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) em Campo Grande se propõe a ser esse ambiente de acolhimento, onde cada paciente encontra um caminho para a recuperação, que pode se manifestar de diversas formas, como melhorar o sono, sair das ruas ou reintegrar a rotina familiar.

Na última reportagem que explora as atividades do CAPS, o Campo Grande News apresenta a dinâmica do serviço, que é caracterizada pela construção de vínculos e pela atenção às necessidades individuais. Durante uma entrevista, o psicólogo Mauro Corsini é frequentemente interrompido por pacientes que buscam orientação ou assistência, destacando a movimentação constante que ocorre no local. A abordagem do CAPS se concentra em ações sucessivas, respeitando o tempo e as demandas de cada pessoa que busca ajuda.

Mauro Corsini faz parte da equipe da Rede de Atenção Psicossocial e desempenha um papel fundamental tanto no acolhimento individual quanto na elaboração de projetos terapêuticos. Desde 2019, ele tem trabalhado diretamente com esse público, tendo também atuado anteriormente em serviços como o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e em programas voltados para adolescentes em conflito com a lei. Seu trabalho inclui, nas manhãs de sexta-feira, percorrer áreas da cidade, como a Orla Ferroviária e praças conhecidas por concentrações de usuários de drogas, para estabelecer contato e oferecer ajuda.

Durante essas abordagens, Mauro afirma que, embora o convite ao atendimento nem sempre resulte em adesão imediata, muitos já o conhecem, o que facilita a interação. A equipe procura não apenas oferecer tratamento, mas também incentivar a articulação dos pacientes com outros serviços e espaços comunitários. Por exemplo, um idoso que frequenta o CAPS também participa de atividades em um CCI (Centro de Convivência do Idoso), ilustrando a filosofia de que a recuperação não deve se restringir ao espaço do CAPS.

O serviço colabora com a Assistência Social, incluindo orientação para atualização do Cadastro Único e encaminhamentos à Funsat (Fundação Social do Trabalho) para busca de emprego. Além disso, os profissionais buscam envolver os familiares no processo de recuperação, uma tarefa que pode ser desafiadora, considerando o desgaste emocional que muitos deles enfrentam após anos de conflitos e tentativas de tratamento.

Mauro Corsini descreve a realidade de muitas famílias que, após diversas tentativas de reabilitação do ente querido, chegam ao CAPS sentindo-se esgotadas. A estratégia do CAPS visa restabelecer laços familiares e ajudar os pacientes a se reintegrarem na sociedade, demonstrando que a recuperação é um processo que vai além do tratamento direto, requerendo uma rede de apoio e interação com diferentes serviços da comunidade.

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