O agronegócio de Mato Grosso atravessou 2025 como um dos pilares centrais da economia brasileira, impulsionado por altos níveis de produção, avanços tecnológicos e debates estratégicos sobre infraestrutura, sustentabilidade e crédito rural. Maior produtor nacional de grãos e referência em pecuária, o estado manteve protagonismo no cenário agropecuário e alcançou índices recordes.

Produção de grãos
A safra de grãos seguiu como destaque, com volumes expressivos de soja, milho e algodão, reforçando a força produtiva do campo mato-grossense. Mesmo diante de desafios climáticos pontuais e oscilações de mercado, os produtores mantiveram elevados índices de produtividade, sustentando o crescimento do setor.
Em 2025, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção de milho foi recorde, 55,43 milhões de toneladas. Segundo relatório do Imea, a demanda interna aquecida, sobretudo para a produção de etanol e ração, sustentou as cotações e elevou a atratividade do cereal frente ao gergelim e ao sorgo, culturas para as quais havia perdido espaço na safra 23/24.
Usinas de etanol
A produção de milho tem sido impulsionada pela demanda de etanol, que utiliza cerca de 20 milhões de toneladas de milho de todo o Brasil. De acordo com as Indústrias de Bionergia (BioInd), a primeira usina de etanol de milho foi instalada em Mato Grosso em 2017 e hoje, o Estado conta com 18 usinas em operação. Em dezembro, a Inpasa anunciou a instalação de mais uma usina em MT. A unidade será em Rondonópolis e contará com investimento de R$ 2,77 bilhões.

Ferrovias
Outro tema recorrente em 2025 foi a logística. O escoamento da produção voltou ao centro das discussões, com investimentos em rodovias, ferrovias e concessões logísticas considerados fundamentais para garantir competitividade ao setor. A melhoria da infraestrutura é vista como essencial para acompanhar o ritmo de crescimento da produção estadual.
No último trimestre de 2025, as obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) alcançaram 22% de execução. O projeto prevê 888 quilômetros de trilhos entre Goiás e Mato Grosso, dos quais 383 quilômetros correspondem ao trecho inicial em construção e 505 quilômetros formarão a ligação entre Água Boa e Lucas do Rio Verde. A ferrovia permitirá o escoamento da produção de soja, milho e algodão do norte mato-grossense até os portos de São Luís, Santos e Paranaguá.

Crédito Rural
O acesso ao crédito rural também permaneceu como uma das principais preocupações dos produtores. Em um cenário de juros elevados, o financiamento para custeio e modernização das propriedades exigiu planejamento, reforçando a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo.
Porém, o Estado terminou o ano com alta demanda de pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais e empresas do agro. Uma pesquisa revelou que foram mais de 1.500 somente nos três primeiros trimestres do ano. O maior da série histórica.
Pecuária e sustentabilidade
A sustentabilidade ganhou destaque nas agendas do agro mato-grossense. Práticas de produção responsável, regularização ambiental e rastreabilidade passaram a ser cada vez mais exigidas, especialmente para atender mercados internacionais.
Entre elas está o Passaporte Verde, iniciativa que visa fazer o monitoramento socioambiental do rebanho. Neste ano, o governo de Mato Grosso sancionou a Política estadual de sustentabilidade da cadeia produtiva da pecuária bovina e bubalina que deve garantir o funcionamento do Passaporte Verde a partir de 2026.

Na pecuária, o estado avançou em modelos mais eficientes, com foco na intensificação produtiva e na integração lavoura-pecuária-floresta. A busca por qualidade, produtividade e redução de impactos ambientais marcou o setor ao longo do ano.
Moratória da Soja
A Moratória da Soja foi assunto de importantes debates em 2025. Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu manter a medida que determina às entidades do Grupo de Trabalho da Soja e às empresas exportadoras signatárias da Moratória da Soja, que se abstenham de coletar, armazenar, compartilhar ou disseminar informações comerciais referentes à venda, produção ou aquisição de soja.
A partir da quinta-feira, 1º de janeiro, entra em vigor a Lei Estadual nº 12.709/2024, que retira benefícios fiscais e terras públicas de Mato Grosso a empresas que participem de acordos que imponham restrições à expansão agrícola, como a Moratória da Soja.






