O avanço da inteligência artificial (IA) está promovendo mudanças significativas no desenvolvimento de insumos agrícolas, num momento de pressão sobre o setor. Christian Pereira, estrategista de Agronegócio na Bizup Strategy, analisa como as transformações tecnológicas se conectam a desafios já existentes na indústria.
Recentemente, um ensaio de Dario Amodei, publicado em 2024, destacou que a IA pode encurtar décadas de progresso científico em apenas alguns anos, especialmente nas áreas de biologia e medicina, embora também traga riscos importantes. Em um diálogo com um executivo de uma empresa global, surgiram questionamentos sobre os modelos de negócio no Brasil, entre atuar diretamente com produtores ou optar por estratégias de licenciamento.
Esses episódios revelam a urgência de uma clareza estratégica em um cenário onde a IA pode redefinir o setor agro. Muitas empresas ainda lidam com a tecnologia de forma superficial, sem integrá-la eficazmente aos seus processos de pesquisa e desenvolvimento.
A situação é agravada por uma crise estrutural, com o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas grandes empresas estagnado. Há uma tendência maior de prolongar o ciclo de moléculas já existentes do que de investir em novas descobertas, enquanto custos, prazos e exigências regulatórias se intensificam.
Grandes empresas já estão utilizando a IA de maneira abrangente em seus projetos, incorporando machine learning na descoberta de ativos e estabelecendo parcerias com plataformas de biotecnologia, além de automatizar experimentos. A expectativa é que o desenvolvimento na próxima década seja profundamente transformado, com triagem computacional e design molecular guiado por dados.
A análise também sugere uma reconfiguração nos modelos de negócio. Em vez de concorrer diretamente no mercado final, empresas focadas em pesquisa podem expandir suas operações licenciando tecnologias, seguindo exemplos de outros segmentos. Assim, a velocidade de adaptação se torna um fator crucial para a competitividade no setor.





