Conflito Agrário em MS: Tensão entre Fazendeiros e Indígenas Leva a Reforço da Força Nacional

Mato Grosso do Sul enfrenta um novo episódio de tensão no campo, com conflitos entre fazendeiros e indígenas. Nos últimos dias, duas fazendas foram invadidas por grupos indígenas: a FAZENDA São SEBASTIÃO, em Sidrolândia Limão Verde, no dia 13 de junho, e a FAZENDA LIMOEIRO, em Amambai, no dia 17 de junho. Em resposta ao agravamento da situação, a Força Nacional ampliou seu efetivo na região do Cone Sul do estado, englobando os municípios de Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã, Juti, Mundo Novo e Naviraí.

Diante do aumento da tensão, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) convocou uma reunião de emergência em Brasília no dia 18 de junho. Participaram representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo foi discutir medidas para acalmar a situação nas áreas rurais afetadas.

Após a reunião, o MPI solicitou a ampliação do efetivo policial, o que foi autorizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O comando do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) confirmou o envio de uma equipe adicional para a região, enquanto Equipes da Funai foram designadas para acompanhar a situação e prestar assistência aos indígenas que foram detidos.

A FAZENDA São SEBASTIÃO, que abrange 17,2 mil hectares na Terra Indígena Buriti, foi invadida por indígenas da Aldeia Buriti. Durante a invasão, ocorrida em 13 de junho de 2026, o grupo ateou fogo, derrubou árvores, instalou barricadas para dificultar a chegada da polícia e levou maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gado. Os proprietários e funcionários da FAZENDA foram mantidos em cárcere e ameaçados com armas, resultando em danos significativos à propriedade, que exigirá reconstrução total, conforme mencionado pelo presidente da FAMASUL, Marcelo Bertoni.

Na FAZENDA LIMOEIRO, a invasão ocorreu em 17 de junho, envolvendo indígenas Guarani-Kaiowá. No dia 18 de junho, a 2ª Vara Federal de Ponta Porã emitiu um Mandato Probatório em favor dos ocupantes da FAZENDA, esclarecendo que a decisão é preventiva e visa preservar a posse atual. Contudo, a determinação não autoriza a remoção compulsória de pessoas presentes na área, que dependerá de avaliação judicial.

O órgão judicial ressaltou que nenhuma ação policial deve ser realizada na propriedade sem uma decisão prévia que a justifique e deve ser acompanhada por representantes da Funai, do MPF e da Polícia Federal. O MPI continua monitorando a situação e promovendo articulações para estabelecer Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para a atuação das forças de segurança em áreas indígenas.

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