Um confronto entre integrantes de um grupo criminoso boliviano e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) resultou na morte de quatro pessoas na noite de sexta-feira (07) em Mato Grosso do Sul. Os indivíduos eram suspeitos de terem assassinado um policial na Bolívia e estavam a bordo de um avião que foi interceptado pelas forças de segurança na semana anterior, em São Gabriel do Oeste.
No dia 31 de julho, a Força Aérea Brasileira (FAB), a Polícia Federal (PF), o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e o Bope identificaram uma aeronave de pequeno porte que havia ingressado no Espaço Aéreo brasileiro, procedente do sul da Bolívia, sem apresentar um plano de voo ou manter comunicação com os órgãos responsáveis pelo controle de tráfego aéreo. Devido a essas irregularidades, o avião foi classificado como suspeito e passou a ser monitorado pelo sistema de Defesa Aeroespacial.
O Comando de Operações Aeroespaciais (Comae) mobilizou dois caças A-29 Super Tucano para cumprir as Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA), protocolo que é adotado em situações que envolvem aeronaves consideradas irregulares. Durante a interceptação, os pilotos militares seguiram os protocolos operacionais, que incluem identificação, comunicação e ordens para mudança de rota e pouso.
A FAB informou que a aeronave não atendeu às ordens da Defesa Aeroespacial, o que levou à adoção de uma medida extrema prevista na legislação. Diante da resistência do piloto em obedecer às determinações, foi utilizado o Tiro de Detenção (TDE), que consiste em disparos de advertência para forçar a aeronave a pousar, sendo essa a última etapa das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo.
Após a intervenção da Força Aérea, a aeronave foi obrigada a realizar um pouso forçado em uma pista improvisada, localizada em uma área rural entre os municípios de São Gabriel do Oeste e Camapuã. Ao chegarem ao local, os policiais constataram que o avião havia sido abandonado.
Uma semana após o incidente, no dia 08, uma nova operação levou ao confronto que resultou na morte dos quatro criminosos. Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a ausência de drogas na aeronave, o que é incomum em voos clandestinos oriundos da Bolívia. Essa falta de entorpecentes reforçou a suspeita de que o voo tinha como objetivo retirar membros da organização criminosa após uma série de ataques em San Matías.






