Um mês após a entrega do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o contrato do transporte coletivo em Campo Grande, os problemas denunciados permanecem sem solução para os usuários. O documento, que aponta irregularidades e sugere o indiciamento de ex-diretores e agentes públicos, ainda não resultou em melhorias no serviço.
Passageiros relatam superlotação, sujeira e alto custo da passagem. Marilda Sanches, usuária diária do transporte público, reclama da superlotação e da dificuldade em embarcar. “Está muito lotado. Tem um horário que é antes do meu, às 17h15min, ele quase não para, aí só passa esse das 17h30min, que, às vezes, você não consegue nem entrar”, afirma. A superlotação era uma das principais denúncias da CPI, que sugeriu a elaboração de uma Matriz Origem-Destino atualizada para solucionar o problema.
Gabriel Rodrigues, que utiliza o transporte coletivo desde a infância, aponta outros problemas, como a sujeira e o preço da passagem, atualmente em R$ 4,95. “Às vezes, os ônibus estão sujos, muito pichados, o que deixa o ônibus meio feio para mim. Além do preço”, relata.
O relatório final da CPI foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) e ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). A Câmara Municipal demorou 18 dias para enviar o documento aos órgãos. O TCE-MS informou que não recebeu o relatório. O Ministério Público informou que recebeu o documento, porém, ainda não decidiu sobre os pedidos de indiciamentos. O MPT-MS informou que já havia aberto uma investigação sobre relatos de ex-funcionários do Consórcio Guaicurus.
O relatório da CPI, com cerca de 200 páginas, inclui constatações, apontamentos e indiciamentos. A comissão pediu para que o Consórcio Guaicurus esclareça a venda de um imóvel, justifique uma movimentação financeira e explique despesas de manutenção e não operacionais. Também foi sugerida a substituição de 197 ônibus com idade útil vencida e uma revisão tarifária. O relatório aponta negligência do município na fiscalização do transporte público e sugere o indiciamento de ex-diretores da Agereg e Agetran, além de diretores do Consórcio Guaicurus. A CPI indicou que, caso os pedidos não sejam atendidos, há a possibilidade de intervenção municipal na concessão do transporte coletivo.






