Crescimento alarmante de feminicídios em Mato Grosso do Sul em 2026

Mato Grosso do Sul registra um total de 24 feminicídios de janeiro até agora, colocando 2026 como um dos anos mais violentos para as mulheres no Estado. Este número alarmante inclui três mortes ocorridas nos últimos cinco dias, o que gera preocupação nas autoridades locais. Além disso, foram registradas 13,6 mil ocorrências de violência doméstica em apenas oito meses, segundo o Monitor da Violência Contra a Mulher, que é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e do Poder Judiciário.

A média de feminicídios em 2026 é de um caso a cada 10 dias. Os dados indicam que este ano iguala-se a 2025, 2020 e 2017, todos com 24 registros de feminicídio. Apenas 2021 e 2022 superaram essa marca, com 27 e 30 mortes, respectivamente. O recorde absoluto se encontra em 2022, que contabilizou 44 óbitos. A recente série de crimes, que inclui três assassinatos em um intervalo de cinco dias, levanta um alerta significativo para as forças de segurança pública.

Entre os casos mais recentes, destaca-se o assassinato de Joseane Oliveira Cruz, de 33 anos, ocorrido em Campo Grande no dia 19. A vítima foi morta com golpes de foice em sua residência. O principal suspeito, Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, foi preso algumas horas depois em um posto de combustível em Jaraguari, a 47 quilômetros da Capital.

Outro caso chocante foi o de Fátima Alves de Matos, de 54 anos, encontrada morta em Costa Rica na noite de quinta-feira. Vizinhos relataram ter ouvido gritos e uma discussão antes da chegada da polícia. Rubens Alves Justino, também de 54 anos, foi preso em flagrante como principal suspeito do crime. Apesar de negar as acusações, uma testemunha afirmou ter ouvido barulhos de agressão antes do assassinato.

Além dos feminicídios, os dados de violência doméstica apontam um crescimento preocupante, com uma média de quase 58 episódios diários. Este cenário exige uma reflexão sobre as medidas de proteção às vítimas. Recentemente, foi sancionada a Lei nº 15.383/2026, que altera a dinâmica das medidas protetivas, tornando obrigatória a adoção de tornozeleiras eletrônicas em situações de risco à integridade física ou psicológica das vítimas e seus dependentes.

A nova legislação também prevê que a vítima receba um dispositivo de alerta para notificar em tempo real sobre a aproximação do agressor, utilizando tecnologia de geolocalização. Com isso, busca-se garantir uma resposta mais rápida das forças de segurança em casos de violação das medidas protetivas. Além disso, a lei estabelece penalidades mais severas para o descumprimento das ordens de proteção, com aumento da pena de um terço a metade para infrações relacionadas ao uso de tornozeleiras.

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