O avanço da urbanização em Campo Grande, com a substituição de áreas verdes por edificações, deve resultar em um aumento significativo das ilhas de calor, fenômenos que fazem com que determinadas áreas urbanas apresentem temperaturas muito superiores às das regiões circundantes, como zonas rurais e áreas arborizadas. Essa análise foi realizada por Diogo Silva, meteorologista do Laboratório de Ciências Atmosféricas do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
O especialista destaca que a cidade possui altos níveis de permeabilidade do solo, o que é comprometido pelo aumento de construções e concretagem, dificultando a dissipação do calor. Silva explica que a retirada de árvores reduz o sombreamento e a evapotranspiração, processos essenciais que ajudam a regular a temperatura. "A evapotranspiração permite que a umidade absorvida pelas árvores seja devolvida à atmosfera, contribuindo para a dissipação do calor. Assim, ao se eliminar a vegetação, a cidade se torna um ambiente mais propenso a ilhas de calor", afirma.
As ilhas de calor se intensificam em áreas onde o uso de materiais como asfalto e concreto é predominante. Esses materiais, por sua natureza, absorvem e retêm calor, resultando em temperaturas mais altas, especialmente à noite, quando a cidade começa a liberar lentamente o calor acumulado durante o dia. As regiões centrais de Campo Grande são as mais afetadas, uma vez que concentram um maior número de prédios e menos áreas verdes, que poderiam amenizar a sensação de calor.
Além do centro da cidade, as áreas industriais também são apontadas como locais críticos, pois os materiais metálicos utilizados nessas regiões tendem a reter ainda mais calor. Silva ressalta que a maior concentração de pessoas, veículos e a poluição gerada pelo transporte público contribuem para a retenção de calor nessa parte da cidade.
Para mitigar esses efeitos, Campo Grande está implementando a regra do NBSI, que estabelece a métrica 3-30-300. Essa norma sugere que cada indivíduo deve conseguir ver pelo menos três árvores de sua janela, que cada bairro deve ter ao menos 30% de cobertura vegetal e que todos os cidadãos devem estar a menos de 300 metros de um espaço verde público de alta qualidade. Um estudo realizado pela Prefeitura, em parceria com a UFMS, revelou que, entre os 79 bairros da cidade, apenas sete estão em conformidade com essa regra.
A Prefeitura de Campo Grande já iniciou o plantio de mudas em 72 bairros que não atendem à norma, visando aumentar a cobertura arbórea e melhorar a qualidade ambiental da cidade. A auditora fiscal de Meio Ambiente, Silvia Rahe Pereira, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, confirma que essas iniciativas estão em andamento e são fundamentais para a atualização do Plano Diretor de Arborização Urbana.






