Crise do Metanol: Associação critica governo por inação e pede rastreamento de bebidas

Em meio a crescentes casos de intoxicação e mortes por bebidas contaminadas com metanol, o governo federal enfrenta duras críticas pela falta de medidas efetivas para combater a falsificação de bebidas alcoólicas no país. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) questiona a ausência de ações práticas para rastrear e controlar a produção de bebidas, intensificando o debate sobre a segurança do consumidor.

O diretor da ABCF, Rodolpho Ramazzini, contesta declarações recentes do Ministro da Fazenda sobre o controle da Receita Federal sobre a fabricação de bebidas no Brasil. Ramazzini alega que o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), ferramenta que permitia o rastreamento da produção legal, foi desativado em 2016 e nunca mais reativado, impactando diretamente a capacidade de monitoramento e combate à falsificação.

“O Sicobe era um sistema que nos permitia saber exatamente o que as indústrias estavam produzindo. Desde que foi abandonado, o Brasil perdeu a capacidade de monitorar a produção real e coibir a falsificação”, afirma Ramazzini. Ele cita o caso da Indonésia, que implementou o sistema brasileiro e reduziu significativamente o número de mortes por ingestão de bebidas falsificadas.

A ABCF defende a reativação urgente do Sicobe, com melhorias e tecnologia de rastreabilidade, e a adoção de selos de autenticidade para garantir a identificação de produtos de origem legal pelos consumidores. A entidade alerta que, sem um sistema efetivo de controle e garantia de autenticidade, a população permanece exposta ao risco de intoxicação por bebidas adulteradas.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei que classifica como crime hediondo a adição de substâncias nocivas em bebidas e alimentos foi designado para relatoria.

A ABCF e a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) estão se mobilizando para enfrentar a crise de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, que já resultou em mortes e graves sequelas em diversas regiões do país. Segundo a ABCF, a falsificação de destilados cresceu 25,8% entre 2023 e 2024, representando 36% das bebidas comercializadas, de acordo com a Fhoresp. Ambas as entidades concordam que o surgimento de metanol em bebidas destinadas ao consumo humano é um crime contra a saúde pública e requer uma resposta imediata das autoridades, incluindo o restabelecimento de um sistema nacional de rastreabilidade.

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