Crise na Santa Casa de Campo Grande leva à demissão em massa de equipe de cirurgias pediátricas

A Santa Casa de Campo Grande interrompeu as cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade após a demissão em massa de sua equipe médica, ocorrida na quinta-feira (3). Essa situação surge em meio a uma crise que se arrasta há mais de um mês, marcada por escassez de insumos, suspensão de cirurgias eletivas e atrasos nos pagamentos dos médicos.

A equipe de cirurgia cardíaca pediátrica era a única do estado de Mato Grosso do Sul e realizava procedimentos complexos, incluindo operações em recém-nascidos. Com a saída dos profissionais, as crianças que necessitarem desse tipo de intervenção deverão ser transferidas para hospitais em outros estados, uma vez que a Santa Casa não possui condições de realizar tais cirurgias no momento.

Informações indicam que os médicos estavam sem receber há quatro meses, o que, juntamente com a falta de materiais essenciais para os procedimentos, contribuiu para a decisão de desligamento. A ausência da equipe especializada gera preocupações significativas, pois a Santa Casa não está apta a realizar operações cardíacas pediátricas consideradas complexas. Em situações de urgência, a alternativa será a transferência para outras unidades de saúde, inclusive fora de Mato Grosso do Sul.

A Santa Casa comunicou que os atendimentos de urgência e emergência continuarão a funcionar, mas as cirurgias eletivas e os atendimentos ambulatoriais permanecerão suspensos. Em uma nota divulgada no dia anterior, a instituição confirmou que equipes médicas que atuam como pessoas jurídicas e autônomas estão enfrentando atrasos de pagamento há quatro meses. O hospital havia previamente alertado sobre a possibilidade de uma saída em massa, mas os profissionais permaneceram para evitar a desassistência da população.

A crise na Santa Casa não se limita aos médicos. Em agosto, mais de 100 funcionários, incluindo profissionais de enfermagem e limpeza, participaram de uma mobilização contra os atrasos salariais. A unidade também enfrenta desafios relacionados ao financiamento do atendimento pelo SUS, alegando um déficit mensal de aproximadamente R$ 13 milhões e cobrando a revisão dos valores recebidos pelos serviços prestados.

Uma perícia judicial independente foi determinada para avaliar as contas e o equilíbrio econômico-financeiro do contrato da instituição. A reportagem buscou novo contato com a Santa Casa nesta quinta-feira e aguarda retorno sobre as questões levantadas.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest