Áudios divulgados pela jornalista Juliana Dal Piva revelam um contato entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso por fraudes no sistema bancário. No áudio datado de 30 de março de 2025, Nikolas faz uma ligação a Vorcaro solicitando ajuda para seu ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, e menciona a necessidade de liberar um ativo de minério. O deputado inicia a conversa de forma amigável, perguntando sobre a situação de Vorcaro e se desculpando pelo incômodo em um domingo. Ele explica que um advogado o indicou a Vorcaro e relata sobre o ativo minerário que, segundo ele, já passou pela avaliação técnica.
Na gravação, Nikolas diz: “Não sei nem do que se trata, mas como é uma pessoa que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”. Após essa conversa, Vorcaro responde com um áudio de visualização única, e Nikolas expressa gratidão. Vorcaro finaliza a mensagem afirmando que Thiago pode procurá-lo.
O diálogo entre os dois continuou no dia seguinte, 1º de abril, quando Nikolas informa a Vorcaro que Thiago estará em Brasília. Em resposta, Vorcaro diz “deixa comigo”. Em outro áudio, Nikolas pede desculpas a Vorcaro por críticas feitas em relação a um evento do Banco Master realizado em Londres em 2024, que contou com a presença de ministros do Superior Tribunal de Justiça.
Em março de 2026, informações reveladas pelo jornal O Globo indicaram que Nikolas Ferreira utilizou um avião pertencente a Vorcaro durante 10 dias em outubro de 2022, enquanto fazia campanha pela reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o deputado afirmou que não tinha conhecimento sobre a propriedade da aeronave até após seu uso. Em mensagens que vieram à tona, Vorcaro confirma que bancou todos os voos de Nikolas, mencionando em conversa com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024: “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”. Vorcaro ainda fez ameaças de expor o deputado em mensagens que apresentavam erros de grafia, sem detalhar o número exato de voos ou o período das viagens.





