Em 2026, o Pantanal apresentou uma redução de 77,6% na área queimada em comparação com a média histórica entre 2012 e 2025. Esse expressivo declínio é atribuído, em parte, ao fortalecimento das ações preventivas nas propriedades rurais, ao manejo técnico do fogo e ao aprimoramento da estrutura de monitoramento e combate aos incêndios. Os dados são do Boletim do Fogo, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que indicam que as chamas afetaram apenas 0,84% do bioma durante o período analisado.
A Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO) acredita que essa mudança nos índices reflete uma nova abordagem na forma como o risco de incêndios é gerido no Pantanal. De acordo com a ABPO, os produtores passaram a atuar não apenas no combate emergencial, mas também a se envolver mais ativamente nas estratégias de prevenção de incêndios.
Guilherme Oliveira, diretor-executivo da ABPO, destacou que a presença constante dos produtores nas propriedades é fundamental para identificar características e riscos específicos de cada região do Pantanal. Ele enfatizou que, ao falar de prevenção, é necessário considerar o Pantanal como um território dinâmico e complexo. "O produtor rural está diariamente nesse ambiente, conhece suas particularidades e pode contribuir de forma decisiva para uma cultura permanente de cuidado e prevenção", afirmou Oliveira.
Entretanto, a avaliação dos pecuaristas não atribui a queda nos incêndios exclusivamente às iniciativas realizadas nas fazendas. A ABPO também destaca a importância de investimentos do poder público, a ampliação do Manejo Integrado do Fogo (MIF) e o uso de sistemas de inteligência que ajudam a prever áreas com maior risco.
Uma das estratégias que ganhou destaque é o Manejo Integrado do Fogo, que envolve a realização de queimas prescritas e controladas. Essa técnica é utilizada de forma planejada, sob condições específicas e com acompanhamento técnico, para eliminar a vegetação seca acumulada, prevenindo incêndios maiores.
A pecuária tem uma presença histórica significativa no território pantaneiro, e, segundo a ABPO, essa realidade coloca os produtores em uma posição estratégica para identificar focos de incêndio e atuar de forma preventiva. Contudo, o resultado obtido em 2026 é o fruto de diversos fatores. Além das ações promovidas pelos produtores, a prevenção e o combate a incêndios envolvem a atuação do Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais, sistemas de monitoramento, condições meteorológicas e políticas públicas.





