Desafios e Sacrifícios na Construção da Ponte Bioceânica

Nos últimos quatro anos, centenas de trabalhadores abandonaram suas famílias e enfrentaram condições climáticas extremas, incluindo noites de trabalho, para viabilizar a construção da Ponte Bioceânica. Esta importante estrutura conecta Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, e é a principal ligação da Rota Bioceânica. Com uma extensão de 1.294 metros, a ponte é considerada essencial para o corredor logístico que liga o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile.

O engenheiro civil paraguaio Kevin Larrea, de 28 anos, compartilha que os maiores desafios enfrentados na obra não estão apenas relacionados aos cálculos técnicos. Trabalhando no projeto há três anos, ele revela que a distância de sua família foi um dos momentos mais difíceis. "O momento mais difícil foi a distância que tivemos que percorrer desde Assunção até Carmelo Peralta, cerca de 800 quilômetros. Essa foi uma das maiores dificuldades, além do esforço exigido pelo trabalho na obra", explica Larrea. Apesar da saudade, ele mantém comunicação constante com seus familiares em Assunção, oferecendo apoio mútuo.

Outro trabalhador que se destacou na construção é o soldador sergipano Valdileno Batista dos Santos, de 42 anos. Com uma vasta experiência em grandes obras desde 2010, ele já havia trabalhado na construção da ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa. Valdileno é responsável pela operação do carro de avanço, equipamento que permite a execução das aduelas da estrutura sem a necessidade de escoramento no solo. Ele menciona que, embora a separação da família seja um grande sacrifício, a realização da obra é motivo de orgulho.

Os operários, a maioria deles vindos de diferentes localidades, são fundamentais para a conclusão da ponte, que está em sua fase final. Atualmente, cerca de 140 trabalhadores estão focados nos acabamentos, pavimentação, instalação de guarda-corpos, iluminação e outras estruturas complementares, com a entrega prevista para 2024. A obra já alcançou 55% de conclusão e possui capacidade estimada para receber cerca de 250 caminhões por dia, de acordo com a Receita Federal.

O canteiro de obras funcionou em ritmo acelerado, com aproximadamente 460 operários atuando até a meia-noite em sua fase anterior, mas agora se concentra na finalização dos detalhes. Valdileno destaca ainda o êxito na segurança da obra, mencionando que não houve acidentes graves durante todo o processo, o que é um ponto positivo a ser celebrado.

A Ponte Bioceânica, além de ser uma obra de engenharia, simboliza o esforço e o sacrifício de muitos trabalhadores que, mesmo enfrentando a saudade de casa, contribuem para a realização de um projeto que promete transformar a logística da região e beneficiar o Mercosul.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest