O desembargador Ary Raghiant Neto decidiu deixar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) após três anos e três meses no cargo. Sua saída, marcada para o dia 27, coincide com um momento em que o tribunal apresenta pagamentos mensais que superam o teto constitucional, com desembargadores recebendo salários brutos de até R$ 230 mil em fevereiro. A decisão foi oficializada por meio de portaria no Diário da Justiça, assinada pelo presidente do tribunal, desembargador Dorival Renato Pavan.
Raghiant justificou sua escolha com base em razões familiares e profissionais, além do desejo de retornar à advocacia, profissão que exerceu por mais de 30 anos, destacando sua atuação nas áreas tributária e eleitoral. O desembargador também expressou preocupação com a desvalorização da magistratura, sugerindo que sua decisão possa servir como um alerta para a classe política e a sociedade sobre a necessidade de valorizar a carreira.
Ele ressaltou que a percepção pública muitas vezes se limita ao aspecto glamouroso da função, sem considerar as exigências e restrições enfrentadas pelos magistrados. A vida na magistratura impõe limitações no convívio social e uma constante atenção à repercussão de ações e declarações, inclusive nas redes sociais, o que pode desmotivar novos profissionais a seguir essa carreira.
Com a saída do tribunal, Raghiant pretende retomar a advocacia, buscando maior liberdade pessoal e profissional. Ele enfatizou que sua experiência na magistratura o levou a concluir que era o momento certo para voltar a sua trajetória na advocacia, que considera essencial em sua vida profissional.






