Brasil se encontra polarizado após eleições acirradas de 2022, com a figura de Jair Bolsonaro sendo apontada como um divisor de águas no cenário político. Antes, prevalecia uma “dança das tesouras”, onde políticos de espectros ideológicos próximos simulavam embates públicos, mas mantinham alianças nos bastidores, um jogo nem sempre percebido pelos eleitores.
O Partido dos Trabalhadores (PT), liderado por Lula, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), sob a influência de Fernando Henrique Cardoso, personificavam essa dinâmica. Eleitores do PSDB acreditavam combater a esquerda, enquanto apoiadores do PT se viam lutando contra a direita.
O surgimento de Bolsonaro, um deputado do baixo clero com linguagem direta e foco no combate ao “comunismo”, conquistou eleitores e expôs um eleitorado conservador que antes se mantinha discreto. Sua comunicação autêntica, mesmo que improvisada, atraiu multidões e transformou-o em um fenômeno político.
A vitória de Bolsonaro e suas promessas de campanha colocaram a esquerda em posição defensiva, levantando debates sobre os riscos da polarização e a necessidade de “pacificação”. No entanto, a proposta de pacificação muitas vezes se resumia à exigência de rendição dos adversários.
A eleição de Lula em 2022, com uma margem estreita, evidenciou a divisão do país. Apesar da derrota, Bolsonaro manteve sua influência, com pesquisas indicando potencial para vitória em eleições antecipadas.
O cenário político se redesenhou com Fernando Henrique Cardoso declarando apoio a Lula, e Geraldo Alckmin, ex-PSDB, tornando-se vice-presidente. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Bolsonaro inelegível por oito anos, alegando abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Posteriormente, ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento em esquema de ato golpista e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Em meio a isso, o ministro Luiz Fux, durante julgamento, votou pela absolvição de Bolsonaro das acusações relacionadas aos ataques de 8 de Janeiro, argumentando falta de nexo jurídico entre seu discurso e os atos delituosos, fortalecendo o argumento bolsonarista de ausência de provas consistentes.
A tarefa de convencer os apoiadores de Bolsonaro a aceitar a ideia de pacificação se mostrou desafiadora, pois muitos a interpretam como um pedido de rendição. Enquanto os dois polos mantiverem suas posições, o Brasil permanecerá dividido, um fenômeno observado também em outros países. A polarização, no entanto, pode impulsionar a alternância de poder e o exercício da democracia.






