Dourados declara calamidade pública devido à epidemia de Chikungunya

A cidade de Dourados, que se encontra a aproximadamente 231 quilômetros de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, declarou situação de calamidade pública em razão da grave epidemia de Chikungunya. A decisão foi formalizada por meio do decreto de número 638, assinado pelo prefeito Marçal Gonçalves Leite Filho, e publicado em uma edição extraordinária do Diário Oficial do município. Este decreto é o terceiro a ser publicado, considerando que um estado de emergência já havia sido decretado cerca de um mês antes, em 20 de março, sem que medidas anteriores tenham conseguido controlar a situação epidemiológica crítica.

De acordo com os dados oficiais, Dourados já registrou mais de 6.186 casos prováveis de Chikungunya, apresentando uma taxa de positividade que chega a 65%. O decreto destaca a “extrapolação” da capacidade instalada de atendimento, com a taxa de ocupação de leitos de internação atingindo aproximadamente 110%. Essa situação configura uma grave impossibilidade de resposta assistencial adequada, especialmente para os casos mais severos da doença.

Com a calamidade pública reconhecida, a previsão inicial do Executivo local é que o estado de calamidade se estenda por cerca de três meses, totalizando 90 dias. A situação se agrava com o aumento dos casos suspeitos e confirmados, além dos óbitos relacionados à Chikungunya, evidenciando uma tendência preocupante em relação à propagação da doença. O município observou que a doença se espalhou além das comunidades indígenas, aumentando a pressão sobre os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na rede hospitalar local.

A Secretaria Municipal de Saúde será responsável por coordenar as ações necessárias para enfrentar esta calamidade. O decreto permite a adoção de medidas excepcionais, conforme previsto nos artigos 3º e 4º do Decreto nº 587/2026, o que inclui a requisição de bens e serviços necessários para o atendimento à população afetada.

Historicamente, a Chikungunya tem apresentado um crescimento alarmante no estado. Em 2025, a situação se tornou crítica, com 17 mortes registradas, o que representa o pior índice desde que a doença começou a ser monitorada pela Secretaria de Estado. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, apenas oito mortes foram contabilizadas desde o início da série histórica em 2015. Entre 2016 e 2017, não houve registros de óbitos, e a doença voltou a causar mortes apenas em 2018, quando três pessoas faleceram.

A situação atual em Dourados reflete uma explosão nos casos de Chikungunya, que já vem sendo observada desde o início do ano anterior, quando até março de 2024 o estado registrava 2.122 casos prováveis. A gravidade da epidemia ressalta a urgência de ações efetivas para conter a disseminação da arbovirose e proteger a saúde da população local.

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