Eduardo Riedel critica aumento de servidores como solução para déficit previdenciário

O governador Eduardo Riedel, do PP, manifestou sua posição sobre a relação entre o aumento do número de servidores públicos e o déficit atuarial da Previdência estadual. Em declaração feita nesta terça-feira, 15, Riedel afirmou que a contratação de novos servidores não deve ser encarada como uma solução para o problema previdenciário. O pronunciamento ocorreu no mesmo dia em que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) planejava votar o Projeto de Lei 127/2026, que revisa o plano de amortização do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), o MSPREV.

A votação do projeto, no entanto, foi adiada após a deputada Gleice Jane, do PT, solicitar vista, retirando a proposta da pauta. Essa discussão se intensificou em meio ao anúncio do governo sobre a realização de um concurso público para a contratação de 2 mil professores para a rede estadual de ensino. Durante a agenda, Riedel foi questionado sobre se o aumento do quadro de servidores poderia contribuir para os repasses à Previdência e sobre a data de publicação do edital do concurso. O governador confirmou a realização do concurso, mas refutou a ideia de que essa medida ajude a resolver o déficit previdenciário.

Riedel destacou que, embora a entrada de novos servidores possa gerar um aumento nas contribuições em um primeiro momento, esses mesmos trabalhadores trarão novas obrigações previdenciárias no futuro. "Essa visão de que tem que aumentar o volume de servidores para equacionar o déficit da Previdência é absolutamente equivocada", afirmou o governador. Ele reconheceu que a contratação de novos servidores poderia ter um efeito positivo no curto prazo, mas alertou que, ao considerar a trajetória completa do regime previdenciário, o resultado pode ser diferente.

O déficit da Previdência estadual é estimado em R$ 6,34 bilhões. O Projeto de Lei em discussão na Alems estabelece novos valores de aportes suplementares a serem realizados pelo Estado para tratar do déficit atuarial. Enquanto a proposta aguarda nova votação, o governo mantém o cronograma para o concurso de professores, ressaltando que a contratação de novos servidores não deve ser confundida com uma solução para o déficit previdenciário. Riedel enfatizou a importância de garantir os direitos dos aposentados e a necessidade de um cálculo cuidadoso entre os contribuintes e as obrigações futuras.

A situação da Previdência e as discussões sobre a contratação de novos servidores refletem a complexidade do cenário fiscal do estado, onde a gestão das obrigações previdenciárias se torna cada vez mais desafiadora. As decisões tomadas nas próximas semanas poderão impactar significativamente a saúde financeira do Regime Próprio de Previdência Social de Mato Grosso do Sul.

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