O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? conquistou o prêmio de melhor longa sul-americano durante a cerimônia de encerramento do Festival Bonito Cinesur, realizada no dia 1º de agosto no Centro de Convenções em Bonito. Dirigido por Marcelo Martinessi, o longa é uma adaptação do livro Narciso, escrito pelo jornalista Guido Rodríguez Alcalá, e retrata o assassinato do locutor de rádio Bernardo Aranda, ocorrido em 1959. Aranda, um jovem homossexual apaixonado por rock and roll, foi queimado enquanto dormia e, até hoje, o crime permanece sem solução. Para a Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai, o assassinato pode ter sido uma ação orquestrada pelo governo militar.
O período do governo militar sob o comando do general Alfredo Stroessner, considerado a ditadura mais longa da América do Sul, é marcado por graves violações de direitos humanos. Durante os 35 anos em que Stroessner esteve no poder, cerca de 20 mil prisões arbitrárias foram registradas, além de 59 execuções e 336 desaparecimentos. Aproximadamente 19 mil pessoas foram torturadas e 3.470 indivíduos foram forçados a se exilar, conforme dados divulgados em 2003 pela comissão. Os grupos LGBT+ foram particularmente afetados, com Aranda simbolizando as atrocidades cometidas nesse período.
Diro Romero, que interpreta o personagem Narciso, destacou a importância do prêmio como um reconhecimento que traz um desfecho significativo. "Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo. Temos muito a contar, muitas mensagens a transmitir", afirmou o ator.
Em entrevista à Agência Brasil, Diro Romero enfatizou a relevância de recordar as ditaduras na América do Sul para evitar que tais eventos se repitam. Ele alertou sobre indícios de que os resquícios da ditadura ainda estão presentes em algumas sociedades. O ator mencionou a necessidade de se abrir os olhos para esses sinais e ressaltou o papel do cinema na promoção de reflexões sobre o passado.
Além do filme paraguaio, o Festival Bonito Cinesur também premiou outras produções. O longa Natasha foi escolhido como o melhor filme sul-mato-grossense pelo júri oficial, enquanto Higa Ke – Olho por Olho recebeu o prêmio na categoria escolhida pelo júri popular. O prêmio de melhor curta de cinema ambiental ficou com Buen Vivir – Ñutse Canseye, do Equador, na escolha do júri popular, e Hipopótamos, el Arca de Escobar, da Colômbia, na escolha do júri oficial. Na categoria de melhor longa de cinema ambiental, Páramos II: El Origen, da Colômbia, foi premiado em ambas as escolhas. Na seção de curtas sul-americanos, A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca, do Brasil, e Sukua, da Colômbia, também foram destacados.
O Festival Bonito Cinesur se consolidou como um espaço importante para a valorização do cinema sul-americano, trazendo à tona histórias relevantes e promovendo a reflexão sobre questões sociais e políticas.






