A formatura da turma de Técnico em Enfermagem do Centro de Ensino Campograndense (Cegran) foi marcada por uma emocionante homenagem a Gisele da Silva, que foi assassinada pelo marido em outubro de 2025. No último sábado (11), amigos e familiares se reuniram para celebrar a conquista acadêmica, ao mesmo tempo em que lembraram a trágica perda e a luta contra o feminicídio.
Durante a cerimônia, a irmã de Gisele, visivelmente emocionada, falou sobre o amor que a vítima tinha pelo curso e destacou que a formação era uma das maiores alegrias de sua vida. "Eu sei o quanto ela foi querida e admirável. É com grande tristeza que não estou aqui para entregar o canudo para a minha irmã. Seus sonhos foram interrompidos, mas, até o último dia dela, isso aqui foi a alegria dela", declarou, enquanto um telão exibia o nome e a foto de Gisele.
As colegas da formatura também prestaram tributo a Gisele com um vídeo que alertava sobre a violência contra a mulher. Mensagens como "Atenção ao primeiro sinal", "Denuncie", e "Diga não à violência" foram apresentadas, além de um número para denúncia. A turma foi oficialmente nomeada 'Turma Gisele da Silva Saochine', um ato simbólico que fez com que o nome dela estivesse presente em cada canudo entregue aos formandos.
Gisele da Silva foi vítima de um feminicídio brutal, esfaqueada e carbonizada pelo companheiro na noite do dia 2 de outubro de 2025, em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a irmã de Gisele informou que conversou com ela por volta das 18h, em um momento que indicava uma briga entre o casal. O cenário se agravou quando, por volta das 20h, vizinhos relataram um incêndio na residência do casal.
Ao chegarem ao local, as autoridades encontraram o imóvel em chamas. Quatro viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas e utilizaram 3 mil litros de água para controlar o fogo. Após a extinção das chamas, a Polícia Militar e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) iniciaram a investigação, encontrando marcas de sangue e evidências que indicavam que Gisele havia sido atacada fora da casa antes de ter seu corpo incendiado.
Relatos indicam que o autor, após cometer o crime, teria utilizado um veículo Fiat Strada para atear fogo, resultando em sua própria morte carbonizado. A cena do crime foi isolada para a realização de perícias e levantamentos necessários pela Polícia Civil, que segue investigando o caso, que chocou a comunidade e reacendeu a discussão sobre a violência de gênero.






