Uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelou uma ligação entre esquemas de corrupção e fraude em licitações que envolveram as prefeituras de Terenos e Bonito. As descobertas surgiram a partir da Operação Spotless, que resultou na prisão e posterior afastamento do prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB).
Durante as investigações da Operação Spotless, os promotores do Gaeco chegaram ao empreiteiro Genilton da Silva Moreira, proprietário de uma empresa envolvida no esquema de corrupção em Terenos. A investigação indicou que Moreira mantinha relações com outras prefeituras, utilizando o mesmo modus operandi: licitações direcionadas seguidas do pagamento de propina proveniente de contratos fraudulentos com a administração pública, beneficiando políticos e membros do alto escalão dos municípios.
A teia de corrupção começou a ser desvendada durante a análise de dados digitais apreendidos na Operação Velatus. No dispositivo eletrônico de Moreira, foram encontradas evidências de outras infrações penais, que, após autorização judicial, foram compartilhadas, dando origem à investigação em Bonito.
A Operação Águas Turvas, deflagrada em Bonito, resultou em quatro prisões preventivas, incluindo agentes públicos e o próprio Genilton da Silva Moreira. Entre os presos estão Edilberto Cruz Gonçalves, secretário municipal de Administração e Finanças de Bonito; Carlos Henrique Sanches Corrêa, arquiteto e fiscal de obras públicas; e Luciane Cíntia Pazette, chefe do setor de Licitações e Contratos de Bonito.
A investigação aponta que esses servidores desempenhavam funções cruciais no processo licitatório. O secretário de finanças tinha influência na liberação orçamentária e autorização de pagamentos, o fiscal de obras realizava vistorias e medições, e a chefe de licitação tinha acesso antecipado aos editais e poder de definir exigências que favoreciam as empresas do esquema.
O esquema em Bonito envolvia contratos de pequenas obras, licitadas por meio de carta convite. As obras geralmente eram para manutenção de pontes de madeira ou reforma de quadras e ginásios esportivos. Em um dos casos, o arquiteto Carlos Henrique Sanches Corrêa enviou a medição de uma obra antes mesmo da licitação.
As investigações apontam que os pagamentos de propina em Bonito ultrapassaram R$ 100 mil, repassados por Genilton Moreira ao secretário Edilberto Cruz Gonçalves. Interceptações e análise de extratos comprovaram que, após os pagamentos da prefeitura às empresas ligadas a Moreira, Gonçalves solicitava “vantagens” e indicava chaves Pix e intermediários para receber os valores.
No esquema de corrupção, também surgiu o nome de Sérgio Duarte Coutinho, que teria atuado como intermediário financeiro dos repasses de propina, recebendo valores transferidos por Genilton para a distribuição ilícita.





