A Justiça de Mato Grosso do Sul impôs sentenças a quatro pessoas envolvidas em crimes de tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais. A condenação resultou de uma operação da Polícia Federal que culminou na prisão dos indivíduos em 2024, na rodovia MS-276, no município de Deodápolis. Durante a ação, os agentes da PF descobriram um fundo falso no tanque de combustível de um caminhão Scania, onde foram encontrados 205,20 kg de cocaína pura, que tinha como destino a cidade de Maringá, no Paraná.
A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em colaboração com a Polícia Federal de Dourados, revelou que o grupo criminoso utilizava a região sul-mato-grossense como uma rota estratégica para o transporte de grandes quantidades de drogas. Os dois homens considerados coordenadores do esquema foram condenados a 15 anos e 9 meses de reclusão, enquanto os outros dois envolvidos, responsáveis pelo suporte logístico e financeiro, receberam penas de 13 anos e 6 meses cada.
O indivíduo que transportava a droga foi sentenciado a 5 anos e 10 meses de prisão, além de ter que pagar 583 dias-multa. Ao todo, as penas somadas chegam a 58 anos e 6 meses em regime inicialmente fechado, acompanhadas de multas expressivas. No total, os condenados devem pagar 6,6 mil dias-multa, o que equivale a R$ 345 mil.
A investigação revelou que a organização criminosa não se limitava ao tráfico de drogas, mas havia estruturado uma complexa rede de lavagem de dinheiro. Os criminosos criaram uma empresa de fachada, registrada como comércio de veículos, que não possuía atividade comercial real, estoque ou estrutura física adequada. Este estabelecimento servia como um meio simulado para realizar transações bancárias e emitir notas fiscais falsas.
Os levantamentos do MPMS mostraram que um dos réus atuava como coordenador e gestor, enquanto outro era sócio formal da empresa, utilizada para encobrir a movimentação do caminhão. Além disso, um dos integrantes prestava apoio financeiro e operacional, enquanto o quarto membro do grupo cuidava do suporte logístico e financeiro.
Os investigadores mapearam o fluxo financeiro da organização, identificando transferências bancárias e pagamentos via Pix que conectavam diretamente os líderes aos contadores que abriram a empresa e aos motoristas responsáveis pelo transporte da droga. Durante o período investigado, cerca de R$ 102 mil foram movimentados de forma incompatível, além da aquisição dissimulada de imóveis em nome de terceiros.






