Um dos maiores festivais internacionais dedicados à harpa, o SPHarpFestival, promete uma experiência única com 12 concertos de artistas de várias partes do mundo. O harpista douradense Rafael Deboleto representa a cultura da FRONTEIRA ao apresentar seu concerto intitulado “A harpa como portal entre povos, memórias e territórios”. Nesta 10ª edição do festival, que ocorre na Arena B3, em São Paulo, Deboleto encerra sua turnê neste sábado, às 13h30 (horário de MS), após ter se apresentado na semana anterior e também no 21º RioHarpFestival 2026, no Rio de Janeiro, ambos fazendo parte de um circuito musical significativo.
Sérgio Costa e Silva, diretor do Museu e do Festival de Harpas, elogiou as apresentações de Deboleto, destacando a interação que ele promove com o público e a versatilidade demonstrada em seu repertório. O músico, que já se consolidou na história desses festivais, traz uma abordagem dinâmica, incluindo composições originais que ampliam o interesse dos espectadores.
Deboleto expressou sua gratidão por participar de um festival exclusivamente voltado para a harpa, um instrumento que, segundo ele, costuma ser solitário. Ele ressalta que a oportunidade de conhecer diferentes estilos de harpa e linguagens musicais é extremamente enriquecedora para sua carreira. O harpista destaca a importância de sua harpa paraguaia, que dialoga com a música sul-americana e tem um significado especial para ele, que cresceu no interior do Mato Grosso do Sul.
O artista se mostra entusiasmado em apresentar sua harpa ao público de São Paulo e do Rio de Janeiro, que geralmente têm mais familiaridade com a harpa erudita. A recepção do público ao seu estilo popular tem sido surpreendente e positiva. A performance de Deboleto explora a história e a cultura dos povos guarani, incorporando ritmos e melodias que caracterizam a harpa paraguaia, além de refletir sobre sua própria vivência, já que morou no Paraguai até os dez anos.
Sua trajetória musical é marcada por um aprendizado autodidata com o instrumento, que começou logo após seu retorno ao Mato Grosso do Sul. No festival, ele apresenta composições que vão desde a autoral “Terra Dourada”, que remete às suas raízes brasileiras, até a famosa guarânia “Recuerdo de Ypacaraí”, interpretada em espanhol, além de obras da música popular brasileira. Deboleto acredita que a migração não deve ser vista como abandono da identidade, mas sim como uma forma de transportá-la. Para ele, a música é uma poderosa ferramenta de preservação da memória cultural, permitindo que ela floresça em novos contextos.






