Uma mulher de 24 anos sobreviveu a uma tentativa de feminicídio na noite da última segunda-feira (20), em Campo Grande, na Vila Cidade Morena. O autor, um homem de 25 anos, disparou pelo menos 11 vezes com uma pistola 9 mm em direção à vítima antes de fugir em um carro. O incidente foi registrado pela 6ª Companhia Independente da Polícia Militar, que atendeu a uma chamada de disparos de arma de fogo na Rua Minas Novas por volta das 23h.
De acordo com o relato da mulher, o casal estava em sua residência quando o homem, que havia consumido bebidas alcoólicas, começou uma discussão por motivos fúteis. Durante a briga, ele quebrou um televisor e, ao ser confrontado pela companheira, sacou uma arma e a ameaçou, dizendo que a mataria se ela chamasse a polícia. Assustada, a mulher saiu para a rua pedindo socorro e tentou entrar em um veículo Fiat Uno branco que estava parado nas proximidades, mas o motorista acelerou ao vê-la se aproximando.
Neste momento, o agressor alcançou a vítima, agrediu-a com um soco e a ordenou que corresse, ameaçando-a novamente. A mulher conseguiu escapar, mas o autor disparou várias vezes em sua direção, com um dos projéteis passando muito perto de seu ouvido esquerdo. Após o ataque, o homem entrou no Fiat Uno como passageiro e fugiu do local. A polícia encontrou 11 cápsulas de munição calibre 9 mm espalhadas pela via, embora a vítima não apresentasse ferimentos visíveis.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) como tentativa de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. As autoridades estão em busca do autor. Até o momento, em 2023, Mato Grosso do Sul já contabilizou 42 tentativas de feminicídio, com março sendo o mês com maior número de casos, totalizando 13 ocorrências. Esses dados são significativos quando comparados ao mesmo período de 2025, que registrou apenas 20 tentativas entre janeiro e abril.
Em relação ao histórico do casal, ambos já foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em virtude de tráfico de drogas, posse de arma e associação para o tráfico. Em agosto de 2022, a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) apreendeu cocaína e uma pistola 9 mm na residência onde moravam. O rapaz foi condenado em março de 2024 a uma pena de oito anos de prisão e um ano de detenção em regime fechado, tendo confessado o crime, enquanto a mulher, que alegou estar na casa há apenas 15 dias, recebeu a mesma sentença, mas conseguiu liberdade provisória com monitoramento eletrônico.
O histórico criminal do autor inclui passagens por homicídio qualificado, roubo majorado e tráfico de drogas durante a adolescência, o que faz com que seus processos tramitam em sigilo.






