O acidente com o avião Cessna Aircraft PT-JSE, que deixou quatro pessoas feridas no Pantanal de Corumbá, ocorreu em 15 de novembro de 2023. Um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que a aeronave bateu em um banco de areia antes de capotar, resultando em ferimentos graves para o piloto e um passageiro, enquanto outros dois ocupantes tiveram lesões leves.
De acordo com a investigação, o piloto cometeu um erro ao confundir o local de pouso com uma área em construção, situada a cerca de 700 metros do destino final, que era a Fazenda Riozinho. O terreno, que aparentava ser adequado para pouso, apresentava desníveis e era composto por areia, estacas e maquinário. Após o impacto com o banco de areia, a aeronave teve seu trem de pouso dianteiro danificado e capotou em seguida.
O planejamento do voo foi um dos principais pontos criticados no relatório. A aeronave estava operando acima dos limites de peso estabelecidos pelo fabricante. Ao decolar, o peso excedia em aproximadamente 65 quilos o limite máximo permitido, e no momento do pouso, o excesso chegava a 76 quilos. Essa diferença foi atribuída ao fato de que o limite de peso para pouso era menor do que o autorizado para a decolagem.
A investigação também destacou a escolha inadequada do local de aterrissagem, uma vez que o piloto pretendia pousar em uma pista da Fazenda Riozinho, mas acabou se dirigindo a uma área imprópria. Além disso, as condições meteorológicas foram identificadas como um fator que contribuiu para o acidente. Embora não tenham sido detectadas chuvas significativas na rota, registros de observadores locais indicaram a presença de fumaça, o que prejudicou a visibilidade.
Outro aspecto relevante foi a ausência de equipamento de GPS na aeronave, que utilizava instrumentos analógicos. O Cessna PT-JSE, fabricado em 1974, acumulava 4.131 horas e 30 minutos de voo na data do acidente. Apesar das falhas identificadas, o piloto possuía todos os documentos necessários, incluindo licença, habilitação para aviões monomotores terrestres e certificado médico aeronáutico válidos, atendendo aos requisitos regulamentares para realizar o voo.





