Justiça rejeita pedido de prisão domiciliar de advogado envolvido em Jogo do Bicho

A Justiça decidiu não atender ao pedido de prisão domiciliar do advogado Rhiad Abdulahad, que foi preso na 4ª fase da Operação Successione, em novembro de 2025, devido ao seu envolvimento com o Jogo do Bicho. A decisão foi publicada no Diário da Justiça na última segunda-feira, 27. A defesa de Rhiad havia solicitado a substituição da prisão preventiva por domiciliar, argumentando que ele tem um filho de 2 anos que necessita de cuidados especiais, pois é portador de síndrome de down.

Rhiad Abdulahad está sob prisão preventiva desde 25 de novembro de 2025, por determinação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com as investigações, após a primeira fase da operação, ele teria assumido um papel central na organização criminosa dedicada à exploração do Jogo do Bicho e à lavagem de dinheiro, sucedendo seu pai, José Eduardo Abdulahad, em funções identificadas pelo Ministério Público como de gerência.

A denúncia contra Rhiad foi apresentada no dia 10 de dezembro e aceita pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Campo Grande em 19 de dezembro de 2025, momento em que ele se tornou réu. Informações obtidas indicam que a cela onde Rhiad está detido é considerada uma das mais luxuosas do Presídio Militar, onde ele cumpre pena em regime especial por ser advogado.

Desde que a denúncia foi recebida, a defesa de Rhiad já apresentou pelo menos três solicitações para a revogação da prisão preventiva, todas negadas pela 4ª Vara. Os advogados argumentam que as acusações se baseiam exclusivamente em interceptações telemáticas e declarações de terceiros, sem que haja evidências concretas de atos ilícitos individualmente praticados por Rhiad além do exercício da advocacia.

Este último pedido, que propõe a mudança na modalidade de custódia para prisão domiciliar, incluiu laudos médicos que apontam a importância da presença do pai no tratamento da criança. Contudo, a Justiça reafirma a gravidade das acusações, que envolvem um esquema de exploração ilegal de jogos de azar em Mato Grosso do Sul.

O Gaeco investiga uma organização criminosa liderada por um ex-deputado estadual, que tinha planos de expandir suas atividades para Goiás, mesmo após o início da Operação Successione, em 2023. Apesar das ações judiciais, o grupo continuou suas atividades de forma estruturada e violenta. A lista de investigados e presos na quarta fase da operação inclui nomes como Roberto Razuk, Rafael Godoy Razuk, Jorge Razuk Neto, entre outros, todos associados a essa rede criminosa.

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