Mato Grosso do Sul SE destaca no Brasil por alta carga de trabalho semanal

Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição no Brasil no que diz respeito à carga de trabalho, com quase 90% dos trabalhadores com carteira assinada cumprindo jornadas superiores a 40 horas semanais. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, elaborados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indicam que 89,3% da força de trabalho no estado opera com jornadas contratuais que superam as 40 horas. Este cenário revela que quase nove em cada dez trabalhadores em Mato Grosso do Sul estão inseridos no regime de trabalho 6×1.

O forte desempenho do estado é impulsionado em grande parte pelos setores do agronegócio e da agroindústria, que colocam Mato Grosso em segundo lugar na lista com 89% de trabalhadores em carga horária elevada. A média nacional é de 80,3%, o que destaca a diferença significativa entre Mato Grosso do Sul e o restante do país. Na região Centro-Oeste, todos os estados, exceto o Distrito Federal, têm índices acima de 85%, ao passo que Estados do Nordeste, Sul e Sudeste apresentam taxas que podem chegar a 80%.

O Distrito Federal registra a menor proporção, com 70,4% dos trabalhadores operando em jornadas de 40 horas, uma situação que é influenciada pela predominância do setor público. No total, cerca de 35,3 milhões de trabalhadores formais no Brasil estão empregados em jornadas que ultrapassam as 40 horas semanais, representando aproximadamente 80% da força de trabalho com carteira assinada.

Recentemente, a proposta enviada pelo Governo Federal ao Congresso Nacional tem gerado discussões sobre a possibilidade de abolir a escala 6×1, que permite que o trabalhador atue por seis dias e descanse apenas um. O projeto sugere a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, além de garantir dois dias de descanso, estabelecendo um novo modelo de trabalho 5×2. A proposta é acompanhada da proibição de cortes salariais e tramita sob regime de urgência.

O principal objetivo da iniciativa é promover uma melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores, embora já enfrente resistência de setores produtivos. Em 29 de abril, a Câmara Municipal de Campo Grande realizou uma Audiência Pública para debater a proposta, reunindo vereadores, economistas e advogados trabalhistas. O governo destaca que a mudança abrange trabalhadores domésticos, comerciários, atletas, aeronautas, radialistas, entre outras categorias regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Além disso, a proposta prevê que o limite de 40 horas semanais também será aplicado a escalas especiais e regimes diferenciados, preservando modelos como 12×36, desde que respeitada a média de 40 horas por semana. Essa mudança pode representar um avanço significativo na legislação trabalhista e nas condições laborais no país.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest