O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, manifestou sua repulsa em relação à violência perpetrada por seguranças indígenas contra um jovem que foi acusado de furtar e sacrificar uma vaca na Aldeia Amambai. O incidente, que envolveu tortura física com chutes, golpes de porrete e choques elétricos, ocorreu na última sexta-feira (5) e foi registrado em vídeo pelos próprios agressores. As imagens foram divulgadas pelo Campo Grande News na segunda-feira (8).
Durante a inauguração da nova sede da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) em Dourados, a 251 km de Campo Grande, Eloy Terena abordou o caso na manhã desta quarta-feira (10). A pasta foi contatada pela reportagem no dia do ocorrido, mas até o momento não havia se manifestado oficialmente. O ministro destacou que a prática de tortura, mesmo que realizada por indígenas, é absolutamente inaceitável. "Oficiamos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para que um inquérito seja instaurado e as responsabilidades sejam apuradas", afirmou.
Eloy também mencionou que conversou diretamente com o governador Eduardo Riedel (PP) sobre o episódio, enviando o vídeo da agressão. Ele enfatizou a necessidade de um diálogo sobre a situação, ressaltando que os indígenas envolvidos atuam em uma função de segurança interna. O ministro explicou que em outras regiões, como no Amazonas, existem grupos formados por membros da comunidade, qualificados pelo Estado, que se dedicam à proteção territorial, mas isso não justifica ações violentas contra outros indígenas.
A proposta, segundo ele, é aprimorar essa prática em Mato Grosso do Sul, permitindo que indígenas possam atuar como agentes territoriais sem recorrer à justiça com as próprias mãos. "Estamos tomando as providências necessárias para que uma situação como essa não se repita", acrescentou Terena.
O ministro também criticou a presença de uma "guarda indígena" em algumas áreas do sul de Mato Grosso do Sul, fazendo uma analogia com práticas do período da ditadura militar, que trouxeram consequências negativas. Em um evento subsequente, Eloy Terena participou de uma cerimônia na Embrapa Agropecuária Oeste, onde junto à diretora-presidente substituta, Ana Margarida Castro Euler, assinou protocolos para a instalação da primeira estação meteorológica em território indígena no estado, na Terra Indígena Cachoeirinha, localizada em Miranda.
Além disso, o ministro lançou o Projeto Ywy Ipuranguete, que conta com investimentos do Fundo do Marco Global para a Biodiversidade, destinado ao monitoramento ambiental e fortalecimento da governança indígena. À tarde, Eloy e Lucia Alberta Baré participaram da Aty Guasu, a Grande Assembleia do povo Guarani e Kaiowá, em Caarapó, onde foram discutidos balanços das ações do Gabinete de Crise e apresentados projetos voltados ao desenvolvimento sustentável das comunidades locais.






