Mulheres em busca de proteção enfrentam desafios na Casa da Mulher Brasileira

Na manhã de segunda-feira (3), uma mulher de 40 anos, residente no Parque dos Laranjais, retornou à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, apresentando hematomas e alegando ter sido agredida e mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, que já havia sido preso três vezes por infrações relacionadas à Lei Maria da Penha. Em busca de maior segurança, ela expressou sua preocupação: "Não quero virar estatística. O acolhimento é muito bom, mas precisava ter uma proteção maior. A medida protetiva não é à prova de bala".

Durante o período de aproximadamente três horas de atendimentos, a Casa da Mulher Brasileira recebeu mulheres em diversas situações. Algumas visitavam a unidade para registrar ocorrências, enquanto outras buscavam orientações jurídicas, atendimento psicológico ou assistência social. O fluxo de atendimento era controlado por quatro servidoras e uma guarda municipal, que monitorava a entrada e saída das pessoas. Após a triagem inicial, as mulheres eram encaminhadas para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública ou serviços de apoio psicológico.

Entre as atendidas, uma mulher de 58 anos procurou a Casa para solicitar a revogação da medida protetiva contra o marido, afirmando que ele a tratava bem e que seus filhos haviam sido os responsáveis pelo conflito. Apesar de seu pedido, foi esclarecido que a decisão final caberia ao juiz, que avaliaria se ainda havia risco à vítima antes de revogar a proteção. Outro caso semelhante ocorreu quando uma mulher chegou de bicicleta para retirar a medida, mencionando um acordo com o ex-marido, mas optou por não fornecer mais detalhes.

Em contraste, a moradora do Parque dos Laranjais buscava manter a medida protetiva, relatando que o ex-companheiro danificou seu celular e um imóvel situado no Bairro São Conrado. Ela destacou que o portão da casa alugada por R$ 500 havia sido danificado, e que o caso já havia gerado outros registros policiais, permanecendo sob acompanhamento.

Esses atendimentos refletem um cenário preocupante em Mato Grosso do Sul, onde os índices de violência doméstica continuam elevados. Em 2025, o Estado registrou 21.962 ocorrências, e em 2023, já são 12.060 casos, com 4.024 apenas em Campo Grande. No ano anterior, a Capital contabilizou 7.870 ocorrências. Além disso, em 2026, o Estado já soma 18 feminicídios. Importante ressaltar que a Lei Maria da Penha abrange não apenas a violência física, mas também psicológica, sexual, moral e patrimonial no contexto das relações familiares e afetivas.

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