Nos últimos anos, Mundo Novo consolidou-se como a principal porta de entrada para cigarros contrabandeados em Mato Grosso do Sul, superando Ponta Porã. A localização geográfica da cidade, que faz divisa com o Paraguai e o estado do Paraná, tem atraído a atenção de grupos e FACÇÕES criminosas para o comércio ilegal.
De acordo com informações da Receita Federal, entre 2016 e 2018, Ponta Porã e Campo Grande lideravam as apreensões de cigarros contrabandeados. Durante esse período, Ponta Porã registrou 73,7 milhões de maços apreendidos, totalizando R$ 362,8 milhões, enquanto Campo Grande ficou com 99,7 milhões de maços, equivalentes a R$ 488,6 milhões. Por outro lado, Mundo Novo contabilizou apenas 28,9 milhões de maços, que representavam R$ 130,2 milhões.
A partir de 2019, a tendência começou a mudar, com Mundo Novo superando Ponta Porã e se tornando a segunda cidade com maior número de apreensões. Nesse ano, Mundo Novo confiscou 16,5 milhões de maços, avaliados em R$ 82,2 milhões, enquanto Ponta Porã ficou com 12,1 milhões, totalizando R$ 60,8 milhões. Campo Grande, por sua vez, manteve sua liderança nas apreensões.
Em 2020, Mundo Novo alcançou uma marca inédita, assumindo a liderança nas apreensões de cigarros contrabandeados, uma tendência que se manteve nos anos seguintes. Entre 2020 e 2025, foram apreendidos mais de 103,3 milhões de maços na cidade, correspondendo a R$ 526,6 milhões. Em comparação, Campo Grande registrou 34,4 milhões de maços, enquanto Ponta Porã ficou com 55,4 milhões, evidenciando o crescimento de Mundo Novo como principal ponto de entrada do contrabando no Brasil.
Apesar de sua população estimada em 20 mil habitantes, a cidade se destaca no cenário do contrabando. O Código Penal brasileiro classifica a importação ou exportação de mercadorias proibidas como um crime menos severo em comparação ao tráfico de drogas, com penas de 2 a 5 anos de reclusão, enquanto o tráfico pode resultar em 5 a 15 anos de prisão. Essa diferença na legislação é um dos fatores que atraem as FACÇÕES para o contrabando de cigarros.
O mercado ilegal entre Paraguai e Brasil é avaliado em mais de R$ 60 bilhões anuais, com os cigarros representando 34% dos itens apreendidos pela Receita Federal. Pesquisas do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Pesquisa e Consultoria Estratégica indicam que o cigarro ilegal possui uma participação de 74% no mercado sul-mato-grossense, significando que, a cada 10 cigarros vendidos em MS, sete são ilegais. Desde 2019, o estado deixou de arrecadar R$ 3,7 bilhões devido ao contrabando de cigarros.






