A navegação comercial pelo Rio Paraguai em Mato Grosso do Sul continua operando normalmente, apesar da expectativa de intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Dados da Marinha do Brasil indicam que os níveis das águas nos principais pontos monitorados no estado estão significativamente acima do que foi observado em 2024, quando a seca severa prejudicou o transporte pela hidrovia.
Entretanto, a situação não é completamente tranquila. Análises históricas revelam que o rio já apresenta uma tendência de queda em seus níveis, que estão abaixo das medições de 2025 e 2023. A continuidade da estiagem, junto às condições climáticas relacionadas ao El Niño, gera preocupação no setor de navegação para os meses seguintes. No último dia 28, o Rio Paraguai apresentava um nível de 3,03 metros Em Porto Murtinho, uma diminuição de dois centímetros em comparação à medição anterior.
Embora a redução seja notável, as condições ainda são consideradas adequadas para a navegação comercial. Em Ladário, o nível registrado foi de 2,28 metros, enquanto Em Forte de Coimbra, a cota média estava em 1,02 metro. Esse cenário contrasta com o que foi observado em 2024, quando os níveis estavam drasticamente baixos: 0,10 metro Em Ladário, -1,18 metro Em Forte de Coimbra e 1,20 metro Em Porto Murtinho no dia 20 de agosto.
Marcelo Martins, gerente de Operações Portuárias do Grupo FV Cereais, destacou que, apesar da normalidade atual nas operações de escoamento, a tendência de queda nos níveis das águas requer um monitoramento constante. "A situação da navegação segue dentro da normalidade e o escoamento pelo rio continua acontecendo. Contudo, estamos entrando em um período de estiagem, portanto, é essencial manter um acompanhamento atento", afirmou Martins.
Atualmente, a cota disponível ainda permite a navegação, mas já se encontra abaixo do nível considerado ideal para embarcações de maior calado. A manutenção das condições de navegação é crucial para o setor, especialmente em um ano em que o escoamento de MINÉRIO de ferro é significativo. No primeiro quadrimestre de 2025, foram exportadas 1.947.258 toneladas do mineral, resultando em um faturamento de US$ 97,4 milhões, principalmente através das operações de uma empresa familiar que atua na região de Corumbá.
Neste ano, o volume exportado no mesmo período aumentou para 3.019.431 toneladas, representando um crescimento de aproximadamente 55%. No entanto, o faturamento caiu para US$ 62,8 milhões, uma queda superior a 35% em relação aos US$ 97,4 milhões do primeiro quadrimestre de 2025. A redução no valor médio por tonelada também é significativa: enquanto em 2025 o valor médio era de aproximadamente US$ 50, neste ano caiu para cerca de US$ 21.





