Nova fase da operação investiga esquema financeiro bilionário de combustíveis

Nesta quinta-feira (24), uma nova fase das investigações sobre um esquema bilionário no setor de combustíveis foi iniciada, focando na estrutura financeira utilizada para ocultar patrimônio e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras do país. A operação, chamada de Crédito Oculto, é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e abrange mandados de busca e apreensão contra 13 indivíduos e 19 empresas em sete estados diferentes. Ao todo, foram identificados 26 alvos em São Paulo e um em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Importante ressaltar que Mato Grosso do Sul não é um dos locais alvo nesta nova fase, embora tenha havido desdobramentos anteriores relacionados ao Estado.

A Operação Carbono Oculto, que foi deflagrada em agosto de 2025, já havia cumprido um mandado em Dourados e outros sete em Iguatemi. Recentemente, uma indústria localizada no Distrito Industrial de Dourados foi mencionada em uma denúncia do Ministério Público de São Paulo ligada a esse esquema. Esse contexto evidencia a conexão de Mato Grosso do Sul com as investigações, mesmo que a nova fase da Operação Crédito Oculto se concentre em outros estados.

As investigações estão sendo conduzidas pela Receita Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, além da Polícia Militar e da Polícia Civil, com o suporte de equipes do Gaeco de outras regiões. Os investigadores identificaram que os envolvidos usaram uma complexa combinação de empresas, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, firmas de fachada, fintechs e instituições financeiras para ocultar a origem dos recursos e os verdadeiros beneficiários das operações.

De acordo com a análise, a primeira etapa da estratégia envolveu a ocultação dos proprietários reais de uma usina sucroalcooleira localizada em São Paulo. Apesar da titularidade formal estar dividida entre fundos, cada entidade ou veículo financeiro desempenhou um papel específico dentro dessa estrutura. A fintech, por exemplo, facilitou a circulação e fragmentação dos recursos, enquanto a usina foi utilizada para receber e integrar valores à atividade formal. Os fundos atuaram como financiadores, as holdings foram responsáveis por aquisições e as empresas-veículo criaram uma distância entre a origem dos recursos e os beneficiários dos ativos.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação de cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por uma das empresas financeiras envolvidas na aquisição simulada da usina. Essa quantia, associada a outros elementos reunidos durante as investigações, reforça os indícios de que a estrutura foi utilizada para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.

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