onde muitos projetos começam a dar errado

Uma situação vivida recentemente pelo cantor João Gomes ilustra, de forma muito evidente, como falhas na comunicação podem comprometer relações de compra e venda, mesmo quando há profissionais qualificados, orçamento disponível e boa intenção de ambas as partes.

Durante participação em um podcast, o astro do forró e do piseiro contou a dificuldade que enfrentou ao contratar um escritório de arquitetura para construir a casa dos sonhos. João Gomes adquiriu dois terrenos em um condomínio de luxo em Petrolina (PE) e deixou claro que queria uma casa grande, pensada para viver com a família. O problema começou quando os projetos apresentados pelos arquitetos não dialogaram com o que ele imaginava.

Segundo o cantor, os profissionais seguiram o padrão dominante nos condomínios: casas contemporâneas, com linhas retas, muito vidro e estética minimalista (o chamado estilo “caixote”). O que João Gomes desejava, no entanto, era algo bem diferente: uma casa com alpendre, varandas amplas e referências afetivas ao sertão nordestino, à sua história e às memórias da infância.

Aqui está o primeiro grande alerta de comunicação: o cliente até falou, mas não se sentiu ouvido.

É verdade que condomínios de alto padrão impõem regras rigorosas para aprovação de projetos. Ainda assim, o desejo do cliente era legítimo: unir conforto, memória afetiva e identidade cultural, mesmo em um ambiente de luxo urbano. A frustração surgiu justamente da sensação de que sua história não havia sido considerada no conceito inicial.

Após o impasse, a empresa responsável pelo projeto reconheceu publicamente a falha de alinhamento e de comunicação. Reavaliou o conceito, ajustou a proposta, conseguiu a aprovação do condomínio e apresentou uma nova fachada.

Em publicação nas redes sociais, a equipe admitiu: “Faltou mais comunicação nessa primeira fachada”. Ao final da terceira revisão, o projeto foi aprovado pelo condomínio. Ainda não há confirmação se João Gomes também aprovou o projeto e se vai mesmo construir a casa.

O desfecho foi positivo, mas o caminho poderia ter sido mais curto, mais eficiente e menos desgastante. Vender um produto ou serviço não é apenas apresentar uma proposta tecnicamente correta ou esteticamente alinhada ao mercado. É, necessário, antes de tudo, entender o cliente. Comunicação não é só falar bem, é ouvir com atenção.

Quando a empresa não investe tempo suficiente para compreender expectativas, valores, referências e emoções envolvidas na decisão de compra, corre o risco de entregar algo impecável do ponto de vista técnico, mas completamente inadequado do ponto de vista do cliente.

Não se trata de “vender por vender”, nem de empurrar soluções prontas. Trata-se de construir soluções personalizadas, que façam sentido para quem vai comprar.

Dicas práticas para melhorar a comunicação com seu cliente

Não interrompa, não presuma, não conclua antes da hora. Faça perguntas abertas e deixe o cliente explicar o que quer e por quê.

  • 2. Investigue além do pedido inicial

Muitas vezes, o cliente pede um “produto”, mas o que ele realmente busca é uma experiência, um valor simbólico ou uma memória afetiva, como no caso de João Gomes.

Antes de apresentar a solução final, confirme: “É isso que você imaginou?” ou “O que, nesse conceito, mais se aproxima do que você deseja?”.

  • 4. Evite soluções padronizadas sem adaptação

Tendências de mercado são importantes, mas não substituem a escuta individual. O que funciona para muitos pode não funcionar para aquele cliente específico.

  • 5. Explique limites e regras com clareza

Se existem restrições técnicas, legais ou institucionais (como regras de condomínio), elas precisam ser apresentadas desde o início, de forma clara e transparente.

  • 6. Aceite ajustes como parte do processo

Revisões não são sinal de fracasso, mas de refinamento. O problema não é ajustar; é ser obrigado a mudar tudo porque não houve comunicação suficiente no início.

O caso de João Gomes reforça uma verdade simples e muitas vezes ignorada: todo projeto, produto ou serviço precisa conversar com quem vai usá-lo. Quando a comunicação falha, o risco não é apenas perder uma venda, mas comprometer reputação, relacionamento e credibilidade.

Comunicar bem com o cliente não é um diferencial. É uma necessidade.

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