O relatório final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), recém-divulgado após o encerramento do evento em Belém, Pará, gerou desapontamento em Mato Grosso do Sul. Especialistas apontam a ausência de menções ao Pantanal no documento, que deveria apresentar acordos e propostas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Apesar da constatação, houve um ponto considerado positivo: o manejo integrado do fogo, sistema que combina aspectos ecológicos, culturais, socioeconômicos e técnicos para o uso seguro e sustentável do fogo. A iniciativa é vista como um avanço prático para a região.
Angelo Rabelo, diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ressaltou a expressiva representação do bioma durante a COP30. “O Pantanal nunca foi tão incluído em uma pauta global para a situação de emergência climática que vivemos”, afirmou, destacando a apresentação do território como impactado pelas mudanças climáticas e necessitando de políticas públicas. Rabelo enfatizou a relevância do Pantanal no sequestro de carbono e sua alta taxa de conservação, que contribui para a biodiversidade local.
No entanto, a exclusão de medidas específicas para a proteção de áreas úmidas no texto final da COP30 causou frustração. Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação e Engajamento do Instituto SOS Pantanal, lamentou a omissão, considerando a importância do Pantanal como a maior planície alagável do mundo. Áreas úmidas desempenham um papel crucial no clima, armazenando carbono e atuando como reguladores hídricos, controlando inundações e prevenindo secas.
Agora, a expectativa dos especialistas é que a questão do Pantanal seja incluída na pauta da próxima COP, a 31ª, que poderá ser sediada na Austrália ou na Turquia.
A COP30 resultou em 29 decisões aprovadas por consenso, abrangendo temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. Um conjunto de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso da Meta Global de Adaptação foi finalizado, envolvendo setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência.
Apesar dos avanços, Figueirôa considera o texto final da COP30 “fora da realidade” diante da urgência climática. Ele criticou a ausência de medidas concretas em relação aos combustíveis fósseis, principais causadores do aquecimento global.
A eliminação gradual dos combustíveis fósseis, através de um “Mapa do Caminho” para a transição para energias limpas, não foi incluída no texto final. A expectativa é que o governo brasileiro implemente essa ação, tornando-se o primeiro país a adotá-la. A próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima será realizada na Turquia, no próximo ano.





